Um pouco do mundo mágico da maternidade.

Quando é chegada a hora de procurar ajuda…

Postado por em mai 15, 2012 em Destaques, Psicologia Infantil, Saúde | Comentários

Quando é chegada a hora de procurar ajuda…

A psicoterapia infantil é uma prática da psicologia que tem como objetivo favorecer o bem estar e a qualidade de vida da criança e de sua família. Esta prática também é útil na prevenção de problemas familiares e infantis, bem como na redução de dificuldades já instaladas na família e na criança. A psicoterapia infantil, portanto, é o espaço onde a criança é acolhida e ouvida, podendo expressar seu universo privado e aprender a comunicar sentimentos como raiva, saudade, tristeza, frustração, medo, ansiedade e amor.

Durante o atendimento à criança, o psicólogo usa estratégias lúdicas de acordo com a idade, tais como histórias, desenhos, colagens, pinturas e jogos, a fim de criar um ambiente no qual ela se sinta à vontade. Por meio dessas atividades, o profissional tem a oportunidade de conhecer melhor a criança, seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Entende-se, assim, a necessidade de um ambiente que proporcione momentos à criança e aos pais e/ou cuidadores para repensarem suas relações, suas escolhas, suas dificuldades, seus sonhos e suas possibilidades.

Compreender a expressão da criança é descobrir que ela constrói um mundo de fantasia que desperta sentimentos de medo e ansiedade, mas que precisam ser expressos para serem compreendidos e resignificados. Quando a criança em terapia experiencia os seus sentidos, o seu corpo, os seus sentimentos e o uso que pode fazer do seu intelecto, ela recupera uma postura sadia frente à vida. Neste sentido, conhecer a criança e seu mundo, e, ao mesmo tempo, ajudar a desenvolver sua personalidade e ativar os germes do vir a ser e o que sou, é o objetivo principal do espaço terapêutico. É importante salientar que sonhos, imagens, desejos, desenhos, imaginação e fantasias serão um dos instrumentos principais do psicólogo para ter uma visão geral da criança e direcioná-la ao seu desenvolvimento sadio.

O processo terapêutico com crianças tem o objetivo de resgatar o curso satisfatório do desenvolvimento, propiciando oportunidades de reencontrar a vivacidade e o contato com o mundo através da desobstrução de seus sentidos, do reconhecimento do seu corpo, da identificação, da aceitação e da expressão de seus sentimentos, da possibilidade de realizar escolhas e de verbalizar suas necessidades, bem como de encontrar formas para satisfazê-las, além de aceitar quem ela é na sua singularidade.

No momento em que os pais dão o primeiro telefonema pedindo ajuda, em geral a situação já se tornou muito difícil, se não intolerável, seja para os próprios pais ou para a criança. Às vezes é a escola que nota algum comportamento estranho e acaba chamando a atenção dos pais. Por certo, muitas vezes, a criança é o bode expiatório de uma família desestruturada e, por isso, os pais “escolhem” a criança como fonte de um problema. Mesmo que seja percebido claramente que a criança é o sintoma do sistema familiar, o simples fato de ter sido ela escolhida como o problema e de ter feito algo para chamar a atenção sobre si mesma indica que precisa de uma oportunidade para adquirir alguma sustentação por si só. Quando uma criança é levada a uma clínica ou a um consultório, os sintomas de que os pais se queixam não são necessariamente os mesmos para os quais a criança sente precisar de ajuda, já que o sofrimento infantil está intimamente ligado às ansiedades dos pais e, com efeito, sua causa pode muitas vezes estar mais neles do que na própria criança. Por isso, o psicólogo infantil entra em ação para trabalhar em conjunto com a família, precisando, muitas vezes, encaminhar um dos pais ou ambos para um tratamento psicológico individual.

Por essa razão, é aconselhável, na consulta terapêutica, ter uma entrevista inicial com os pais da criança. Nesta primeira entrevista com os pais, o psicólogo muitas vezes precisa dizer o que se pensa a respeito da situação apresentada, das possíveis causas da problemática e opinar sobre a condição verbalizada. Quando isso ocorre, é comum os pais recordarem-se de outros episódios da vida da criança ou da vida familiar que esclarecem, comprovam ou questionam as hipóteses levantadas. Ao conversar com os pais, o psicólogo passa a conhecer as características de cada um deles e da própria família, como também ajudá-los a lidar com os conflitos e lembrar da responsabilidade que ambos têm em relação ao filho.

No final da entrevista, é importante que os pais expliquem à criança que eles virão conversar com uma pessoa que procurará compreendê-la e ajudar no que for preciso. Por exemplo, no meu primeiro contato com a criança, que normalmente acontece após a sessão com os pais, peço para eles explicarem na frente dela o que é psicólogo, terapia e o motivo de estarem levando-a lá. Isso é importantíssimo, pois a criança precisa se vincular ao psicólogo! E, para isso, os pais devem contar a verdade e dizer o que está acontecendo para ela. Tudo isso faz com que a confiança e abertura se instalem e, assim, o processo pode fluir e ter bons resultados. Não adianta “levar” a criança para o psicólogo e “todos os problemas estarão resolvidos” — longe disso! A família precisa se implicar para que o trabalho feito dentro do consultório seja estendido para casa, escola e externo. Por isso a parceria com os pais é tão importante, isto é, os pais também participam do processo.

No trabalho com crianças é desejável que se possa contar com a família e que ela seja parceira no processo. Aprender a perceber e a lidar com os momentos de crise que possam emergir ao longo do seu desenvolvimento é um dos primeiros fatores a serem exercitados. Observa-se que os pais, quando trazem a criança para o consultório, vêm com um sentimento de fracasso e, quando são convidados a trabalhar com o filho e observam o seu progresso, recuperam a autoconfiança como pais e o relacionamento com a criança é “distencionado” pela diminuição da ansiedade.

Para algumas crianças, o simples fato de poder brincar em um espaço seguro, permissivo, acolhedor e confirmador com aquilo que ela queira escolher, já é o suficiente para promover as reconfigurações necessárias ao bem estar e ao resgate de um funcionamento saudável na sua interação com o mundo.

Lembrem-se: cada criança é um ser singular, e é por isso que cada momento e experiência será vivenciada de maneira muito particular. Diante de um conflito, uma pode não se importar ou muito menos dar um significado; outra pode somatizar, chegar a adoecer ou apresentar comportamentos estranhos (de agitação a introspecção). Umas podem se resolver sozinhas ou melhorar com o passar do tempo, outras não. Normalmente é a partir dos 4 e 5 anos que as crianças começam a ter um noção mais de si e do seu ambiente e não conseguem resolver seus conflitos sozinhas, podendo precisar de ajuda. Se a família conseguir perceber e ajudar, ótimo! Caso não consiga, acho que é chegada a hora de buscar ajuda…

Beijos carinhosos.

Quem escreve?

Lilian Britto
Graduada em Psicologia pela Universidade Salvador – UNIFACS e pós-graduada em Psicologia Analítica pela Psiquê - Centro de Estudos C. G. Jung, atua como psicóloga clínica com crianças e adolescentes. Além de coordenadora de cursos da Clínica Psiquê, presta trabalho voluntário na Fundação Lar Harmonia junto a crianças carentes. Apesar de ainda não ser mamãe, é apaixonada por crianças e, por isso, dedicou e dedica a sua formação profissional nesse fantástico mundo infantil.

Comentários

  1. não devemos ser neuróticas, mas sempre devemos estar atentas e quando necessário buscar sim ajuda de profissionais específicos.
    beijos
    #amigacomenta

  2. Acho que devemos sim procurar ajudar nossos filhos de todas as maneiras. Eu já levei minha filha a um psicologo e também frequentei o psicólogo qndo me separei. Toda ajuda é válida para mantermos a saúde física e psicológica.

    Beijos
    #amigacomenta

  3. Tem horas que a ajuda é realmente necessária e devemos assumir isso, para poder ajudar nossos filhos. Só não acho que qualquer problema possa ser terceirizado ao consultório. É preciso que os pais sejam sensíveis para perceber quando é preciso ou não.
    Beijos!!!
    #amigacomenta

  4. Silma Matos disse:

    Sou muito a favor de terapia se for necessário, eu mesma já fiz bastante, fiz durante a gravidez foi muito bom.
    #amigacomenta

  5. Priscila Trevine Leonelli disse:

    Realmente um psicólogo faz a diferença em diversos momentos the nossa vida. Tenho um amigo psicólogo que só de bater um papo, já me abre a mente e me ajuda e enxergar um monte de coisas. Preciso fazer terapia, como ele mesmo me diz, sempre é bom. Para crianças acho que terapia é bom também, principalmente para aquelas que não conseguem se "abrir" com os pais e amigos.
    bjocas
    Test Drive Mami.
    #amigacomenta

  6. Priscila Trevine Leonelli disse:

    Realmente um psicólogo faz a diferença em diversos momentos the nossa vida. Tenho um amigo psicólogo que só de bater um papo, já me abre a mente e me ajuda e enxergar um monte de coisas. Preciso fazer terapia, como ele mesmo me diz, sempre é bom. Para crianças acho que terapia é bom também, principalmente para aquelas que não conseguem se "abrir" com os pais e amigos.
    bjocas
    Test Drive Mami.
    #amigacomenta

  7. Muito interessante o seu trabalho. É essencial que os pais fiquem sempre atentos para perceber os sinais que a criança dá de que precisa dessa ajuda. Mas acho que principalmente a mudança deve ocorrer na estrutura familiar… para que a criança possa superar e viver em um ambiente que propicie isso. Beijos! #amigacomenta

  8. As vezes é difícil até saber quando precisamos para nós, não é? Boas dicas!
    Beijos
    Tati
    Mulher e Mãe.
    #amigacomenta

  9. Ninon Forbeck disse:

    É tão difícil saber quando procurar ajuda, né… ainda mais se tratando dos pequenos… 

    Suas dicas são bem uteis… vou prestar mais atenção…. apesar de que estou com uma consulta agendada para as crianças numa terapeuta naturista… estou bem empolgada e ansiosa…

    Beijos.
    #amigacomenta

  10. Fanny Barbosa disse:

    É nunca pensei em procurar ajuda, até porque vejo o desenvolvimento do meu pequeno dia a após dia.
    Bjs Saudades de ti =)
    #amigacomenta

  11. Jamile disse:

    Muito esclarecedor seu post. Passei por tudo isso bem recentemente e estou descobrindo como a psicologia pode ajudar meu filho a enfrentar algumas dificuldades.
    Beijos,JamileMãe para Mãeswww.maeparamaes.com#amigacomenta

  12. Carol Baggio disse:

    Acho importante esse tipo de apoio, mas acredito que, se um filho chega ao ponto de precisar de psicologia infantil, os pais também precisam de terapia. De nada adianta o filho ter um canal super bacana pra se entender e se expressar, se quando volta pra casa, continua sem ser compreendido… muitas vezes a causa da ansiedade e medo que a criança apresenta tem a ver com a postura dos pais e familiares, né?
    bjs
    Carol
    http://www.ninaensina.com.br
    #amigacomenta