Um pouco do mundo mágico da maternidade.

A criança e a TV

Postado por em jul 4, 2012 em Destaques, Educação, Psicologia Infantil | Comentários

A criança e a TV

O contato da criança com a mídia tem sido muito discutido entre especialistas e também muito criticado, pois não se sabe quais efeitos e influências reais na vida de uma criança. Uma coisa os pais devem saber: o que assistir, duração, quando e quantas vezes.

Antigamente, as crianças só tinham acesso à TV na sala de estar e muitas vezes os pais acabavam reclamando ou disputando entre os membros o que assistir. As crianças eram “enviadas” rapidamente para seus quartos ou para rua/playground para brincar. Atualmente, o cenário mudou um pouco: os aparelhos de televisão já podem ser encontrados dentro do próprio quarto da criança, onde ela pode assistir e manipular o que e quanto quiser e ter acesso à internet (vídeos, filmes e joguinhos) como também à própria TV a cabo – pelo menos as famílias de classe média para cima têm esse privilégio.

Ainda não se sabe concretamente por que uma criança se sente tão atraída por este e não por aquele programa/desenho na TV, mas os pais podem notar o quanto elas ficam hipnotizadas, quietas observando tudo aquilo que acontece na telinha. Muitas até respondem e interagem com os personagens ou — a depender do desenho — antecipam algumas falas.

Entretanto, assim como as histórias em quadrinhos, contos de fadas e jogos eletrônicos, a TV em certa medida também tem papel positivo no imaginário, criação e desenvolvimento moral, social e subjetivo da criança. O que se discute hoje é o excesso e acesso a cenas ou programas que não dizem respeito à faixa etária da criança. Vale ressaltar que a criança leva um tempo para se desenvolver e maturar-se fisicamente e, por isso, há certos conteúdos que, a depender a idade, a criança ainda não tem condições psicológicas e mentais de compreender e internalizar de maneira positiva e saudável.

Muitas pessoas questionam se o fato de a criança assistir a cenas de violência na TV a levará se tornar violenta. Em certa medida sim, pois não é apenas a presença em si da agressão que leva à violência, mas a associação de que, ao utilizar a violência, “serei mais forte, terei glória e conseguirei tudo o que quero” (representação positiva de si). Os desenhos animados transmitem indiretamente temas de violência, roubo, desobediência, transgressão, injustiça e “malandragem”, que, para uma criança pequena em formação, tais aspectos ainda serão vivenciados e/ou dialogados dentro da família. Os pais terão o papel de educar e ensinar o que é certo e errado, e não um desenho na TV. Não se deve pensar na criança como um adulto em formação, e sim numa criança que será um futuro adulto.

Pensar dessa forma significa que os pequenos interpretam o mundo a seu modo, dão significado às coisas e as recriam de modo diferente do adulto. Enquanto o adulto assiste e sabe que na vida real “a banda não toca dessa forma”, a criança “acredita” e muitas vezes tenta imitar o que viu.

Quando criança, alguém já tentou ou teve o desejo de querer voar?! E logo depois vem aquela famosa frase: “Crianças, não tentem fazer isso em casa!” Como não? As crianças são curiosas, impulsivas e querem explorar o mundo. A proibição e o desafio é uma prato cheio.

Já pararam para pensar que, quando as crianças estão diante da TV assistindo a um desenho, ninguém questiona o perigo que há, pois elas estão quietas? No entanto, ao contrário do que se pensa, nem toda programação ou nem todos os desenhos são adequados para esse público. Ao analisar a linguagem dos desenhos animados notamos que as palavras mais recorrentes são destruir, atacar, força e poder. Sem contar que hoje em dia os filmes infantis parecem ser direcionados mais para o mundo adulto do que infantil. Como pode um garoto (que nem parece nem um pouco adulto), com uma arma na mão e um cachorro ao seu lado, desvendando um mundo de criminosos? Uma aventura mesmo, não é? (As Aventuras de Tintim) — com censura LIVRE!

Pais, educar nunca foi fácil e exige muita paciência, amor, dedicação e tempo. Por isso, criem regras, estabeleçam horários e filtrem alguns conteúdos… a criança vai compreender e viver tudo aquilo na medida do seu processo pessoal e natural. Se possível, assistam juntamente a seus filhos os programas, filmes e desenhos, e conversem com eles sobre o que foi exposto e até mesmo verbalizar suas opiniões sobre o comportamento de tais personagens. A criança precisa ser orientada e saber o que os pais pensam sobre aquele(s) comportamento(s)/valor(es).

Até a próxima! ;-)

Quem escreve?

Lilian Britto
Graduada em Psicologia pela Universidade Salvador – UNIFACS e pós-graduada em Psicologia Analítica pela Psiquê - Centro de Estudos C. G. Jung, atua como psicóloga clínica com crianças e adolescentes. Além de coordenadora de cursos da Clínica Psiquê, presta trabalho voluntário na Fundação Lar Harmonia junto a crianças carentes. Apesar de ainda não ser mamãe, é apaixonada por crianças e, por isso, dedicou e dedica a sua formação profissional nesse fantástico mundo infantil.

Comentários

  1. Com certeza tem muita influência. A Bru também se antecipa em algumas músicas da Galinha Pintadinha, e como ela dorme depois das 21:30, fica na sala enquanto eu assisto a novela.
    Já percebi que o conteúdo não é mesmooooo indicado, e as vezes tento distrair ou até sair com ela de perto da Tv de tanta cena forte.

    bjosss

  2. Aqui em casa não podemos mais deixar na novela! Nenhuma novela!!! O Dudu outro dia queria beijar o meu queixo dizendo q era igual da novela! Ele mesmo já sabe que não pode e quando esquecemos ele grita: " mamãe a tv esta naquele canal q eu não posso!! Rsrs

  3. hahahah sério Rafa???? Pois é.. tb vou precisar fazer isso e mudar os horários aqui. OMG… justo eu, tão noveleira! kkkk
    Bjssss