Na última semana muito se falou sobre aborto, mas algumas abordagens foram superficiais e fora de contexto.

Fui convidada por diversas pessoas a participar da ‘corrente’ CONTRA O ABORTO. Peraí!!! Mas alguém é A FAVOR do aborto???

Eu não publiquei foto nenhuma porque precisava de um tempo para escrever o que eu penso sobre o assunto, e não simplesmente entrar em um “desafio” no qual postamos nossas lindas barrigas grávidas e levantamos bandeira sem sequer saber do que se trata.

A minha realidade é diferente da realidade de milhares de mulheres desse país. Se um dia eu fosse capaz de fazer essa atrocidade (sim, porque eu não APÓIO o aborto e acho um pecado), eu poderia pagar por ela em uma clínica particular, e sairia de lá saudável e sem marcas físicas, mas isso não é o que não acontece com quem toma remédios ilegais ou se submete a abortos em clínicas clandestinas, com agulhas e aspirações em ambiente impróprio e sem assistência. 

Se uma MULHER sai de uma clínica dessas e tem uma hemorragia, sabe que tratamento ela vai receber no SUS? Vão deixá-la sangrando e morrendo. Você acha que a mulher tem que pagar sozinha por isso, às vezes com a própria vida? Onde está o dono do espermatozóide nessa hora?

O que está em discussão é se o aborto deve deixar de ser um CRIME. E sim, eu sou a FAVOR DA LEGALIZAÇÃO do aborto. Ele é feito de qualquer maneira. Rica ou pobre, branca ou negra. A diferença é que a mulher que abortou e tem dinheiro, vai na clínica particular do bairro nobre, vai sobreviver e não vai sofrer grandes danos físicos, mas e o resto da população? A outra vai ser atendida por um “açougueiro” qualquer com roupas e mãos sujas de sangue. Isso é uma questão de saúde pública.

Aí, alguém pode dizer: “Eu não quero que o dinheiro dos meus impostos seja usado pra custear essas mulheres que fizeram e agora não querer assumir seus filhos.” Meu bem, o NOSSO dinheiro vai ser usado de qualquer forma, seja para atender essa mulher sangrando, no pré-natal ou pior ainda: para custear uma criança com alguma deficiência causada por um remédio abortivo tomado sem sucesso.

Você sabia que 1 em cada 5 mulheres já fez um aborto? Sabe o que isso significa? Que talvez alguma AMIGA ou conhecida sua deveria estar ATRÁS DAS GRADES dividindo cela com bandidas e traficantes.

Tirar a vida é crime? É claro que é. Mas deixar um embrião crescer, virar um bebê e jogar no lixo é uma saída melhor? Colocar nas ruas pra pedir dinheiro, viver cercado de raiva e violência em uma família sem estrutura e condição de criar um ser humano melhor é mais digno do que interromper uma gravidez indesejada?

O sexo existe desde que o mundo é mundo. Achar em pleno século XXI que ele só deveria acontecer para fins reprodutivos e dentro do casamento é um tanto antiquado. Ele só deveria ser feito com responsabilidade? Óbvio. Mas e ai?

Eu – graças a Deus – tenho um marido que me ama e uma família que me apóia, mas e quem não tem? Pro homem é fácil dizer: Eu não quero. Quem vai carregar? Gerar? Amamentar? Cuidar? Educar? Quem vai ter sua vida virada de cabeça pra baixo? Quem vai ter que se virar para estudar/trabalhar, sustentar e estar presente na educação dessa criança? Não, não é todo mundo que está preparada para ser mãe. Não é todo mundo que quer ser mãe. Porque o homem pode se omitir na criação e cuidados e a mãe tem que ser responsável? Ela fez sozinha?

Uma lei como essa não vai estimular e banalizar a prática do aborto.  Estatísticas de diversos países provam isso. Existem regras, tempo de gestação limite e condições para serem feitos. O que esse projeto de lei propõe é descriminalizar o aborto e criar condições de ser feito com segurança, orientação adequada e acompanhamento.

É muito lindo ter um filho. É uma dadiva de Deus. Vocês me conhecem e sabem o quanto eu me envolvi com a maternidade, amamentação, parto, doação de leite materno. Eu nunca seria capaz de interromper o crescimento daquelas célulazinhas tão perfeitas que viram um ser humano. Mas esse ser humano só vai contribuir com o mundo se ele nascer cercado de amor e segurança.

barriga gravida

 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.