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Como tirar do peito o bebê que mama durante a madrugada? Até que ponto a cama compartilhada ajuda e até que ponto ela atrapalha? Não deixei chorar e não estudei o plano de desmame noturno do Dr. Jay Gordon. Fiz o que achei mais fácil para nós duas seguindo meu instinto.

Pensei há alguns meses em começar o desmame noturno depois de uma noite péssima, como contei no post O dia em que deixamos o bebê chorar. Foi horrível, não recomendo. Foi um dia de esgotamento e cansaço extremo, que não voltou a acontecer!! As dicas as amigas, seguidoras e leitoras do blog me ajudaram muito a esperar o momento certo e fazer da forma menos traumática possível (e deixar o bebê chorar definitivamente não é uma saída), e até  parecida com o forma que o Dr. Gordon ensina.

Tudo o que eu fiz com a Bruna, eu fiz diferente com a Clara. Meu marido já falou que nós permitimos que a Clara faça o que quer e que não era assim com a Bruna. Eu não concordo. Acho que para muitas coisas sim, outras não.

 

A Bruna era aquele bebê que seguiu o que eu escutava ser o correto para criar uma criança sem manhas e independente: dormia no próprio berço desde que nasceu, teve longas noites de sono com 2 ou 3 meses, ia no colo de todo mundo, dormia no meio do barulho, as sonecas a tarde duravam 2h com 1 ano e meio, mamou tempo suficiente (e não mais porque eu achava que estava bom e porque os olhares aos 10 meses começaram a vir acompanhados da pergunta: ela vai mamar no peito até quando?), sentou aos 5-6 meses, engatinhou pouco e andou aos 10-11 meses. Cama compartilhada só acontecia nos poucos dias de febre alta para monitorarmos com mais facilidade. Nunca comeu gelatina antes de um ano ou bebeu suco de caixinha e outras porcarias. A sopinha era totalmente sem sal.

A Clara? Eu resolvi estragar. kkkk Brincadeira.. Quando percebi que ela estava dormindo tão bem quanto a Bru, pronto. Começou a acordar. A doação de leite materno me deu mais vontade ainda de estender a amamentação, e quanto mais tempo passou, mais ela começou a acordar a noite. As “porcarias” foram iniciadas bem antes. Comecei a fazer a cama compartilhada. Mesmo sendo adepta da chupeta, quando ela resmungava durante a madrugada tinha que ser o peito para sossegar e dormir. Eu não me incomodava. Sei que quem não é a favor de cama compartilhada torce o nariz pra isso, e eu também não curtia quando eu só tinha a Bru, mas dessa vez resolvi fazer diferente e estava curtindo nosso momento. Uma comadre comenta que agora estou “mais natureba” por conta do parto (PN VBAC) e da amamentação em LD e por mais de um ano. Estou mesmo, mas muito longe de quem leva isso a sério. E estou feliz com o que eu escolhi. Mas chegou a hora em que eu me importei com a amamentação durante a madrugada.

Me importei com o comentário do marido que quando ele acordava não era legal ver aquele self-service de peitinho da Clara. Eu ia dormir super tarde e quando começava a pegar no sono ela queria mamar. Conclusão: peito pra fora, deitada de ladinho e ZZzzzzZZzzzzZZZzzz. Um dia saí bem cedo pra um compromisso e ele não deu conta de fazê-la dormir de novo (mas a Nana sim). Pensei em viajar essa semana com ele e pensei: Caraca, preciso tirar as mamadas da madrugada, a Clarinha choraminga muito e só para no peito. Como vão fazer? hehe Decidi que ia começar no mesmo dia.

14/06 – Primeira noite sem mamar de madrugada

Resolvi colocá-la para dormir no quarto dela. Dei mamá e coloquei no berço umas 22:30h. Às 2 da manhã começou o choro.

O pai foi até o quarto e tentou acalmar e dar uma chupeta nova mas ela já tinha despertado. Fiz uma mamadeira e levei pra ele, escondida atrás da porta.

Depois de uns 8 minutos do começo do choro lá estavam eles no nosso quarto. Ele falava pra ela: toma o tetê, a mamãe está aqui do lado. (e eu fingindo que dormia) Hehe

E nada.

Peguei ela e tentei dar a mamadeira. Não quis. Fui pro quarto dela, pro meu, pra sala, peguei o tetê, peguei água. Algumas vezes ela esteve perto do sono, mas algo a fazia acordar e voltar a chorar. E isso durou uma hora. Uma hora de chororô, colo, e sem peito.

No meio desse período ela estava reclamando muito do nariz e tocava sem parar. Eu sabia que precisava lavar. Alguma friagem deve ter feito com que o nariz entupisse e lá fomos nos pro ritual soro + aspiração, aos berros.

Tentei fazer dormir de novo e nada. Continuei embalando e fazendo carinho.

Peguei água, ela recusou. Tentei algumas vezes e ela só repetia “mamá mamá mamá”.

Peguei a chupeta de ovelha ainda molhada do varal, ela pegou e acalmou, mas logo começou a chorar e morder com os dentes/gengiva lateral.

Apelei pro Orajel. Apesar dela relutar, seguei os bracinhos e passei a pomada. Dei a chupeta e… silêncio. Dali a pouco começou o chororô de novo e morder de lado.

Meu marido veio no quarto (acho que pela segunda vez) e disse que o vizinho havia saído na janela e gritado. (!!!!) Eu fui ficando mais ansiosa ainda pra Clara dormir. Eu ninando, ela pedindo mama e chorando.

Caprichei na pomada (menos de 1 grão de arroz de comprimento) e passei de novo na gengiva. Dei a chupeta, ela acalmou e dormiu.

Parecia uma mãe despreparada que tentava de tudo, sabe? Mas eu acho que é exatamente o que precisa ser feito. Tentativas! Água, chupeta (ou não), lavagem nasal,  pomada, carinho, chiado… uma hora você descobre o que mais está incomodando o bebê… ou conseguiu resolver porque na verdade era tudo junto: nariz, dentes, sono, manha!

Coloquei no berço, sai de fininho. Eram 3h da manhã.

Segunda noite – De domingo pra segunda

Demorou mais de 1h pra dormir.. Acho que quase 2h. Demorou MUITO!

Mamou, andou no quarto, mamou de novo, desceu do colo, voltou, cochilou, e ficou com o sono super leve por mais de 30 min, mas eu não desisti!

Depois de muito tapinha no bumbum, de cantar, e várias tentativas consegui sair do quarto. Talvez umas 23h.

Ela acordou as 5 da manha. Dei colo, balancei, coloquei no berço com tapinhas no bumbum e barulho de chiado SSHHHH SHHHH SSHHH e em menos de 10 minutos deitei novamente. Dormiu até 9:40! \o/

Segunda pra terça

Fiz as meninas dormirem na minha cama mas já era mais de meia-noite e dormi junto.

As 6 da manhã a Clara começou a resmungar e querer mamar. Levantei, peguei ela no colo e fui pro quarto. Embalei ela por alguns minutos e apesar dela ficar colocando a mão no meu decote, ela dormiu de volta e coloquei no berço.

Após o quarto dia

Parei de anotar com detalhes. Finalmente estava dando certo. Acho que foi um bom momento para começar.

Frio = cama compartilhada

Infelizmente esfriou muito e com isso ela voltou pra minha cama, mas quando ela acorda de madrugada e está na minha cama, não tem self-service!!

desmame noturno cama compartilhada

Preferi tirar ela da cama e não recomeçar “a rotina sem rotina”. Levanto, balanço, dou uma ninada, canto HumHumHummm HumHumHummmm, coloco no berço e vou pra minha cama. Coisa de 3 a 5 minutinhos na maioria das vezes.

Self-service só depois das 6 da manhã se eu precisar muiiiiito, senão a faço dormir e espero pra amamentar de manhã. Pode ser que um dia ou outro seja mais difícil, mas achei que ia ser pior.

Dormir sozinha 

Com essa nova rotina no quarto dela finalmente ela tem aceitado ir para o berço sonolenta. Foram poucas vezes em que ela foi “apagada” depois de mamar (só quando estava mesmo muito cansada), senão a coloco no berço, dou tapinhas no bumbum e espero adormecer. Se ela me vê andando em direção à porta levanta correndo, eu só faço ssshhh shhh, coloco deitada novamente, dou mais tapinhas e espero a melhor hora de sair do quarto.

Enrolando pra levantar ;)
Enrolando pra levantar 😉

Estou super feliz com o resultado!!!

Atualização: escrevi o post antes das 2 da manhã. Ela acordou 3:30 e já são 4:30 e ela ainda não dormiu. Quando eu acho que ela vai dormir, resmunga e chora mais um pouquinho. Não teve chiado, pomada, água, que fizesse com que ela dormisse logo. Murphy…

Espero que todos consigam da melhor forma.

Bjsssss

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.