Antes da introdução alimentar da Alice descobrimos que ela tinha alergia alimentar. Tudo começou com uma reação na pele  (Contei aqui como foi). Dias depois tivemos a confirmação de que era a OVO (contei aqui no outro post). Eu nunca havia notado que o refluxo que ela tinha acontecia justamente quando eu comia ovo ou alimentos que continham ovo.

Alergia – exposição precoce a alérgenos

Acredito que ela tenha desenvolvido essa sensibilidade devido a uma exposição precoce à clara do ovo. Não podemos garantir que ela não teria necessariamente essa alergia se não fosse esse contato. Provavelmente ela tinha uma pré-disposição e o contato serviu como gatilho e desencadeou a alergia, por isso o contato do bebê com alimentos alérgicos como ovo, proteína do leite de vaca, nuts, etc, são desaconselhados. Há uma hipótese de que por essa mesma razão temos tantos bebês com APLV hoje em dia, em decorrência do contato precoce com fórmulas infantis desde o berçário em algumas maternidades ou por recomendação precoce de alguns médicos.

Consultas com especialistas

Consultei 2 médicos alergistas além das pediatras e as orientações foram um pouco diferentes. Um deles, bem conservador, me colocou bastante medo e pediu exclusão total do alérgeno em casa, da minha alimentação inclusive: Parar de comprar ovo, trocar buchas, louça, potes, pratinhos e separar tudo o que era dela do restante. Independente de qual proteína ela era alérgica.

Como a reação dela era mediada por IgE (resposta imunológica), ela foi de fácil diagnóstico, porém as reações são mais perigosas e por isso precisamos ter caneta de epinefrina (epi-pen), remédios anti-alérgicos, corticóides e broncodilatadores para o caso de uma ingestão acidental. (mostrei a bolsinha de remédios nesse outro post)

Depois que consultei a Dra Ariana Yang, médica responsável pelo Instituto de Alergia Campinas, Coordenadora no HC – FMUSP e especialista em Alergia Alimentar e ela manteve a orientação de manter a louça e pratinhos separados por um tempo. A discordância se deu sobretudo quando falamos da minha alimentação. Eu não precisaria excluir o ovo das compras de casa e da minha alimentação por completo. Quando falei que a Alice tinha refluxo somente quando eu comia ovo, ela pediu que então mantivesse a exclusão somente por mais 3 meses, pois ela iria adquirir amadurecimento no sistema digestivo e que provavelmente esse refluxo acabaria.

Orientações da ALICE – 6 meses a 1 ano

Se ela não tivesse reação, eu deveria SIM me alimentar de ovos. A cada mamada ela receberia um pouco da proteína, e assim como uma vacina, ela iria sendo dessensibilizada aos poucos, acelerando sua cura. Que fique claro que isso só era valido porque ela NÃO REAGIA a traços, e talvez pelo tipo de alergia. Algumas crianças precisam da exclusão total do alérgeno da dieta e podem reagir até mesmo com o cheiro de um ovo na panela!

Ela analisou os exames pedidos pela pediatra dias meninas (Dra Carla em SP – site) e explicou que a alergia dela era a mais comum e de melhor prognóstico. As chances de desaparecer antes dos 2 anos eram grandes.

A única vez que ela teve reação depois de descobrirmos a alergia foi quando comeu um pequeno de um pão que levava ovo com cerca de 1 ano. Ela teve um pouco de coriza e tosse leve imediatamente ao comer e mediquei de acordo com as recomendações da Dra Ariana.

Contei no post Consultamos um alergista! Precauções e orientações para bebê com alergia alimentar (ovo) que a proteína que ela tinha alergia (ovoalbumina) se quebra quando assada, então aos poucos e meio “sem querer” oferecemos macarrão (alimento processado) com ovos, biscoito de polvilho, etc, com cerca de 1 ano e 5 meses. Falei “sem querer” mas não foi algo imprudente.

Cada caso é um caso e por isso o ideal é que seja acompanhado por um alergista alimentar especializado para melhor diagnóstico, acompanhamento e tratamento!!!

Vale lembrar que ela tinha:
  • reação mediada por IgE – fácil diagnóstico
  • resultado positivo somente para ovoalbumina
  • Resultado caiu mais de 70% em 6 meses
  • não reagia a traços
  • remédios para intervenção rápida
Dessensibilização – amamentação e, principalmente, tempo

Teoricamente ela não deveria reagir com os assados de acordo com os exames e o tipo de alergia dela, mas essa introdução deve ser feita preferencialmente em consultório/clínica como contei no post sobre o Tratamento Baked EGG. Na época eu disse que faria, mas cura aconteceu naturalmente como a Dra sugeriu que poderia acontecer. (O tratamento só aceleraria).

Como os resultados dos exames já vinham caindo e ela não deveria reagir ao assado estávamos seguros quanto a esses alimentos, mas não a omelete e preparações rápidas. Ela vinha tentando experimentar meu café da manhã, então resolvi fazer outro exame e O RESULTADO FOI: IgE Específico INDETECTÁVEL!

Resultado aos 1 ano e 6 meses, e o anterior com 1 ano ao lado

Vamos novamente à alergista no início do mês para ter certeza de que ela pode tomar a vacina da febre amarela. Essa é a única vacina que é totalmente contra-indicada para alérgicos a ovo. Vou verificar se precisamos fazer um acompanhamento e repetir os exames depois de algum tempo. Na primeira consulta ela explicou que a alergia pode se comportar de diferentes formas e ao mesmo tempo que ela pode se curar totalmente da alergia,  poderia também acontecer de desenvolver a alergia a ovomucóide. Por enquanto nada mais de alergia por aqui!

Bjosssss

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.