Como não homenagear aquele que dedica a sua vida à ensinar outras pessoas?

O dia do Professor deveria ser um dia em que todos pudessem refletir sobre importância de uma profissão que é responsável por tantas outras.

O professor pre-escolar se preocupa com o desenvolvimento da criança, ensina as primeiras palavras e ali começa a formação do cidadão. A criança não vai à escola para brincar, ela aprende brincando. Por trás de cada atividade tem uma proposta pedagógica e alguém que estudou para saber avaliar o desenvolvimento da criança durante aquele momento de descontração.

Com o passar dos anos, vem mais professores com essa missão, mas com conhecimentos específicos ensinam sobre diversos assuntos. E então, mais uma leva de educadores preparam o aluno para o temido vestibular para que ele escolha a profissão que vai seguir. O educador também está presente nas faculdades e nos cursos de pós-graduação, afinal o ensino não acaba.

Existem muitas formas de ensino, muitos cursos e até mesmo em treinamentos e palestras as pessoas transmitem conhecimento e portanto, ensinam.

Mas a homenagem de hoje é para aqueles que passam suas vidas dentro de salas de aula. Aqueles que não se importam com a mão suja de giz, que ficam horas em pé, que ficam roucos tentando obter a atenção dos alunos, aqueles que até por cirurgia passam por uma lesão de anos de trabalho.

Muitas pessoas não sabem, mas sou filha de pais professores. Professores esses que dedicam suas vidas a ensinar e fazem com amor. Professores que já voltaram pra casa tristes e chateados por terem sido desrespeitados por alunos, quando a intenção era apenas transmitir o melhor de si a eles. Professores que tiveram alunos ótimos e comprometidos, mas que também tiveram que enfrentar problemas com alunos envolvido com drogas (ou vagaba mesmo sem droga rs). Professora que as vezes é hostilizada por alunos sem educação na rede pública ou que uma vez perdeu seu emprego no ensino particular pois a escola preferiu atender a pedidos de alunos filhinhos-de-papai (a mesma escola que ela acreditou ser a melhor para as filhas dela a vida toda). Professora que fica sem voz, que se desdobra para conciliar o cargo que exige tempo e dedicação dentro e fora de classe; que prepara aula, corrige trabalho, fecha caderneta e entrega notas. Ah, dá aulas também. Professora que escuta que a disciplina que ela dá não é relevante para a vida e que não é interessante. Professor que operou o ombro por uma lesão de tanto ficar com o braço direito elevado e escrevendo em lousa. Professor com experiência de 30 anos, com mestrado, doutorado, pós-doutorado, que vê colegas perdendo seus empregos. Professores que não podem ficar doentes, pois na grande maioria das vezes vai precisar repor a aula ou correr com a matéria. Professores que não tem a opção de emendar um feriado ou negociar com o colega.

Mas esses professores também tem orgulho daqueles alunos que se destacam e sabem que fizeram parte da construção daquela pessoa.

Sendo filha de pais professores, só posso pedir uma coisa a vocês: ensinem seus filhos a respeitar ao professor, e não permita que façam chacota da cara deles em sala de aula. Eles estão dedicando a vida deles aos nossos filhos. 

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Minha mãe Vera era bailarina e musicista e dedica a sua vida a ensinar Artes. Meu pai Geraldo é engenheiro e dedica sua vida a formar outros engenheiros.

Ter pais professores tem suas vantagens! Sempre tivemos férias em janeiro e julho. Eu só descobri que viajar nessas datas é impossível para muitas famílias quando comecei a trabalhar em um hospital. E as famílias tem que se desdobrar pra ver quem fica com as crianças. Só descobri que precisamos que a escola ofereça cursos de férias quando me tornei mãe e trabalhava fora. E ai você percebe que os monitores (que também educam) não tem férias nem nas férias. rs

Hoje eu sou mãe e blogueira. Escrevo e dedico esse texto a todos os professores que tive desde a minha infância: Profa Fernanda (5 anos), Jeane (6 anos), Rita Ceres, Arlete, Magno, Regina, Rosa, Zorilda, Neuza, Ivon, Roberto, e muitos outros.

Imagem: Professor Shutterstock

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.