O ultra-som é um exame excelente para acompanhar o crescimento e vitalidade do bebê, mas certas informações não precisavam ser ditas e nem colocadas no laudo “antes da hora”. Por exemplo: A posição do bebê antes das 32 semanas.

A partir do terceiro trimestre a cabeça do bebê começa a pesar mais e os bebês que ainda se encontram sentados devem virar naturalmente entre 28 e 32 semanas, no entanto é esperado que o bebê vire até 35/36 semanas e algumas vezes vira depois disso. Por isso passar essa informação precocemente pode trazer preocupações e indicações desnecessárias. Cerca de apenas 4% das gestações chegam ao fim com o bebê em posição pélvica.

Caso o bebê continue sentado depois das 32 semanas, existem posições e exercícios que ajudam a fazer o bebê virar, mas se mesmo assim não acontecer, a partir de 37 semanas, quando o bebê está a termo (ou seja, teoricamente pronto para nascer), existe uma manobra feita pelos médicos que consiste em virar o bebê por fora da barriga, chamada Versão Cefálica Externa, conhecida como VCE.

Estive no Siaparto na Oficina sobre VCE com a Dra. Andrea Campos (SP/site) e Dr. Braulio Zorzella (Sorocaba/site) e trago abaixo algumas informações:

versão cefálica externa dra andrea campos dr braulio zorzella
Oficina sobre VCE no Siaparto 2015

A VCE é feita por médicos obstetras com experiência em tal manobra. Alguns fazem exclusivamente em ambiente hospitalar com a paciente internada, outros médicos fazem também em consultório/ambulatório. Isso vai da experiência de cada um com o procedimento. Algumas vezes também a gestante sente um desconforto muito grande e é necessário que ela seja anestesiada em uma nova tentativa (internada), caso seja de sua vontade.

O mais importante nesse processo é:

  • Monitorar o bebê durante a manobra e verificar os batimentos cardíacos (caso haja uma desaceleração o procedimento é interrompido ou tentado pelo outro lado);
  • Combinar sobre o que será feito caso a manobra não tenha sucesso; (vai pra casa esperar um sinal do bebê? Vai preferir fazer uma cesárea? Vai tentar o parto normal pélvico na hora certa?)
  • De preferência ter um ultrassom para verificar o sucesso do procedimento em seguida.

Qual a taxa de sucesso?

Cada grupo de estudo e médico tem suas estatísticas mas os número apresentados pelos médicos citados acima foi de uma taxa 60-70% de sucesso e cerca de 5% desses bebês ficam novamente pélvicos, mas é importante salientar: as taxas de sucesso com pacientes internadas e anestesiadas é muito superior às tentativas sem anestesia e em ambulatório.

Quais características podem contribuir com o sucesso da VCE?

  • Mulheres magras
  • Alto índice de Liquido amniótico (ILA)
  • Placenta posterior
  • Bebê pélvico completo (quando as pernas estão fechadinhas)


Como é feito o procedimento?

Primeiro o médico lubrifica a região do abdômen, depois apalpa para senti a posição do bebê. Feito isso, ele começa desencaixando o bumbum do bebê da pelve da mãe e depois com duas mãos, começa a tentativa de girar o bebê com uma “cambalhota” para frente, podendo ser em qualquer um dos sentidos.

Veja abaixo um vídeo de VCE do Dr. Braulio Zorzella com a paciente anestesiada:

[youtube]https://youtu.be/i4cId8DRp3E[/youtube]

Quais são os riscos?

Alguns médicos dizem que o procedimento “pode acabar em cesárea” e por isso a recomendação é de se fazer somente com 37 semanas. Existe o risco de ruptura da bolsa e de desencadear o trabalho de parto.

Os batimentos do bebê são monitorados para evitar que entre em sofrimento fetal por compressão contínua de cordão e se houver desaceleração nos batimentos o procedimento é interrompido.

Quais as contra-indicações?

Caso a paciente tenha descolamento de placenta ou histórico de descolamento em gravidez anterior, o procedimento é contra-indicado.

Caso a placenta seja anterior, o procedimento não é contra-indicado mas é dificultado.

Quais as vantagens?

De acordo com um estudo mundial com 13.000 casos, esse procedimento reduziu em 33% o número de cesáreas.
A taxa de sucesso de um parto normal de um bebê que já se encontrava cefálico é de 90%, enquanto dos bebês que foram virados é de 60 a 70%.

Esse é um procedimento pago particular ou o convênio cobre?

A ANS reconhece o procedimento mas não obriga os convênios a cobrir. Para consultar se o seu convênio reembolsa pelo procedimento deve-se entrar em contato e informar o código do mesmo (TUSS 3.13.09.178 – Versão Cefálica Externa – na tabela fica dentro de Sistema Genital Feminino).

Espero que tenha ajudado! Procurar os profissionais certos e habilitados é o primeiro passo. Bebê pélvico não é necessariamente indicação de cesariana.

Bjs

Imagem destaque: Glowm

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.