Uma em cada 100 crianças nascidas no Brasil tem alguma anormalidade no coração. A realização de um bom pré-natal pode diagnosticar precocemente essas anormalidades. E por que precisamos falar sobre isso? Porque apenas 22% dessas crianças recebem tratamento adequado e o dia 12 de junho é o dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita, alteração 8x mais comum que a Síndrome de Down!


O Diagnóstico

Durante a gravidez:

O ultrassom mais importante de todo o pré-natal é o morfológico no segundo trimestre (feito por volta da vigésima semana de gestação, como falei no post sobre o desenvolvimento do bebê visto pelo ultrassom). Nele, são verificadas, entre outras coisas, as câmaras do coração. O médico também poderá solicitar para esclarecer o diagnóstico, um ecocardiograma fetal.

Ao nascer:

Entre 24h a 48h de vida do bebê é feito o teste do coraçãozinho, onde é aferida  a concentração de oxigênio no sangue.

A saturação de oxigênio (abaixo de 95% ou uma diferença igual ou maior que 3% entre o membro superior direito e o inferior) pode indicar a presença de uma malformação cardíaca.

Quanto antes ela for diagnosticada, maior a chance de revertê-la. O diagnóstico não significa que a criança vai conviver pra sempre com a doença. A correção muitas vezes se dá por meio de uma pequena cirurgia e em alguns casos se reverte com medicamentos.

Quais são as cardiopatias mais comuns?

As doenças do coração são mais comuns em bebês prematuros ou que têm síndromes genéticas, e cada uma tem um prognóstico diferenciado.

PCA – Persistência do Canal Arterial

Uma pequena ligação entre as artérias pulmonar e aórtica fazem com que o sangue arterial e venoso se misturem quando há PCA (sendo que na maioria dos casos o canal se fecha sozinho nos primeiros dias de vida).

É mais comum em meninas e o tratamento pode, em alguns casos ser cirúrgico, ou medicamentoso.

CIA – Comunicação Interatrial

Um orifício entre os dois átrios permite que o sangue oxigenado do lado esquerdo do coração se misture com o sangue pobre em oxigênio do lado direito, aumentando o fluxo sanguíneo nos pulmões.

Pode estar associada a outras malformações, tem evolução benigna na maioria das vezes e a cirurgia pode ser indicada em momento apropriado.

CIV – Comunicação Interventricular

Um orifício entre os dois ventrículos permite que o sangue oxigenado do lado esquerdo do coração se misture com o sangue pobre em oxigênio do lado direito

Pode estar associada a outras malformações, porém quando a CIV é a única doença, tem bom prognóstico e 80% dos casos se resolvem espontaneamente até o 3° ano de vida. Mesmo assim essas crianças devem ser acompanhadas pelo especialista.

Tanto na CIA quanto na CIV deve-se considerar o tamanho, a localização e  a repercussão hemodinâmica para estabelecer a conduta.

Espero que tenha ajudado a esclarecer um pouco sobre as cardiopatias.

Bjss

Aninha

Este conteúdo recebeu o patrocínio da AbbVie Brasil

Imagem: Shutterstock

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.