Muito se fala em amamentação até 6 meses e introdução de alimentação sólida após esse período, mas é importante saber que o Leite Materno continua sendo a principal fonte de energia até 1 ano de idade, sendo necessário complementar com alimentos, se assim for possível.

De acordo com o site da UNICEF:

“Apesar de as crianças, após completarem seis meses de vida, precisarem de outros alimentos, o leite materno continua sendo uma importante fonte de energia, proteína e outros nutrientes, como vitamina A e ferro. O leite materno ajuda a prevenir doenças enquanto for consumido.

A partir do sexto mês de vida, a criança deve mamar antes de consumir outro alimento para que ingira a quantidade necessária de leite materno. A dieta da criança deve incluir verduras descascadas, cozidas e amassadas; grãos, legumes e óleos, bem como peixe, ovos, frango, carne e derivados de leite, que são fontes de vitaminas e minerais.”

Para a grande maioria da população que trabalha fora e tem apenas 4 meses de licença maternidade, essa ‘nutrição adequada’ se torna praticamente impossível de ser seguida.

Apesar dessa orientação da UNICEF de ter a mamada antes da alimentação, as pediatras sempre me orientaram a fazer no intervalo ou antes da mamada. Vale a pena conversar com o seu médico. 

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Recentemente mostrei no post Porque não é indicado oferecer alimentos sólidos a bebês menores de 6 meses os motivos físicos para não iniciar a introdução antes. O principal deles é a maturidade do bebê e a necessidade de ele se sentar para evitar engasgos. Mães não trabalham fora tem mais tempo para fazer essa transição com calma.

O modelo de introdução alimentar tradicional de papinhas nem sempre funciona e é bom que os pais saibam antes de começar. Essa introdução pode ser lenta e difícil. Precisamos lançar mão de técnicas diferentes para oferecer os alimentos ao bebê, ter muita paciência e persistência.

A recomendação dos pediatras varia, mas geralmente se inicia com as frutas, depois almoço e por ultimo o jantar. A escolha dos alimentos da refeição também devem seguir uma ordem, evitando alimentos alergênicos logo de início. É importante que seja feita com cuidado e poucos alimentos de cada vez para identificar uma possível reação.

A recomendação que recebi da pediatra dessa vez foi que as frutas devem ser oferecidas no intervalo da mamada e não substituindo-a, e que após o almoço o leite materno pode ser servido como “sobremesa”, fornecendo assim os nutrientes adequados e necessários ao bebê.

No Leite Materno há ferro biodisponível, o que previne a anemia. (leia mais aqui no post sobre Amamentação após 1 ano).

Atenção: Para bebês que tomam fórmula (LA – leite artificial) as orientações são diferentes, uma vez que o cálcio atrapalha a absorção do ferro. A recomendação é que se espere no mínimo 1h após as refeições para oferecer o leite. Cada pediatra tem uma conduta diferente nestes casos e a introdução muitas vezes acontece antes dos 6 meses.

Tentamos com a Bruna e a Clara a todo custo introduzir frutas em uma semana, e assim que ela aceitasse começava a introdução de sopinhas e papinhas “salgadas”, purês, legumes cozidos. Tentávamos uma nova etapa a cada semana, aumentando a variedade.

A Clara fechava a boca, cuspia, fazia de tudo para não comer. Somente aos 8 meses e meio ela começou a aceitar os alimentos, e o que me salvou foi o BLW, técnica de oferecer em pedaços ou inteiro para que a criança pegue e coma com as próprias mãos, sentindo textura, cheiro, e gosto individualmente de cada alimento. Essa técnica dá autonomia para a criança comer, e por isso é tão importante respeitar o tempo mínimo de 6 meses, pois estão mais preparados para deglutir, sentar e se desengasgar. Falei sobre as Diferentes formas de apresentar os alimentos ao bebê (#BLW) aqui. (Até hoje a Clara não suporta purê e tem ânsia de vômito só de ver a banana amassada da Alice ou qualquer “papinha”.)

Com duas experiências anteriores e muita frustrações, resolvi ter alguns “cuidados” especiais com a Alice e acho que as dicas podem ser bastante úteis:

  • Sem rigidez de horários
    É frustrante passar um tempão picando, cozinhando sem sal, fazendo uma comidinha especial e a criança não comer pois está irritada e com sono. Primeiro vem a soneca, depois o almoço.
    *
  • Se sujar faz bem, e o banho vem depois
    O bebê precisa experimentar, pegar e conhecer os alimentos. E com as mãos sujas será impossível impedir que ela se lambuze. Cabelo, orelhas, vai tudo ficar sujo. Deixe o banho sempre que possível depois da refeição.
    *
  •  BLW, papinha, amassado… de todos as formas possíveis
    Tentar mesclar diferentes técnicas e formas de oferecer o alimento ao bebê é uma ótima saída para os pais. Assim, se  estiver na rua conseguimos dar a comida sem muita sujeira e de forma eficiente, e em casa, quando precisar fazer alguma coisa em paralelo como montar lancheira das mais velhas, sei que posso deixá-la comendo (e se lambuzando), sempre de olho. O bebê que come sólidos tem menos chance de engasgar porque está mais acostumado. Não devemos oferecer somente papinha pois depois fica mais difícil a transição para a comida “normal” da casa. (a não ser mesmo que não tenha outra saída).

Lembrem-se: bebês que não estão mais em aleitamento materno exclusivo precisam de água!!! (A Alice ficou com o intestino preso na primeira semana de frutas.)

Vejam outros posts a respeito da introdução alimentar: (atenção, os posts podem ter informações divergentes entre si, de acordo com orientação de pediatras e nutricionistas diferentes.)

Chegou a hora da papinha… e agora?

Usar ou não a redinha como alimentador?!

O hábito de comer na cadeirinha para refeição

Dicas de como iniciar a alimentação complementar do bebê

Como escolher os alimentos para uma refeição saudável, completa e equilibrada

Diferentes formas de apresentar os alimentos ao bebê #BLW

A descoberta da alergia alimentar da Alice (a ovo) antes mesmo da introdução da alimentação sólida

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.