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Pra começo de conversa: o que é natal? É uma data criada pela igreja católica para celebrar o nascimento de Jesus (mas nem se sabe ao certo o dia do nascimento).

A partir daí já temos 2 grupos: os que celebram a data e os que não. Não sou uma grande conhecedora das religiões, por isso resumi da forma mais simples. Tem um texto bastante explicativo sobre a origem do São Nicolau, árvore de natal e a celebração do nascimento de Jesus aqui

Entre os que celebram a data, há uma infinidade de maneiras de fazê-la. Nos últimos 150 anos, a imagem do Natal foi transformada e o Papai Noel surgiu em uma propaganda. Para a nossa geração, nascida quando tudo isso já era considerado tradição (árvore de natal, Papai Noel barbudo e presentes aos entes queridos), é estranho pensar em não acreditar nessa fantasia.

Não me lembro na minha infância de até quando acreditei em Papai Noel, só sei que eu adorava celebrar a data e depois de adulta apesar de sempre fazer questão de reunir a família e celebrar o nascimento de Jesus, o Natal me pareceu bem mais “sem graça”, confesso.

As meninas assistem muitos desenhos no Netflix e no PlayKids, então se encantam mais ainda pela festa do Natal e principalmente pela espera daquele Natal “americanizado” com pinheiros enfeitados, estrela na ponta, boneco de neve e músicas de natal.

É uma indústria inteira voltada pra isso. O comércio criou e tomou conta das datas comemorativas, precisamos concordar. A pacote de ofertas envolve sempre um personagem querido (Papai Noel, coelho da Páscoa) e o sonho das pessoas, geralmente direcionado pela propaganda.

A primeira vez que eu pensei em não enaltecer o “personagem” foi na páscoa, afinal, falar que um coelho vai trazer ovos de chocolate que vemos no supermercado  (e que elas mesmas escolhem) é meio estranho, mas ao mesmo tempo acho encantador fazer brincadeirinhas com pegadas de coelho pela casa e pistas para encontrar os ovos.

Uma vez a Bruna me perguntou se existia, e eu respondi que “existe na nossa imaginação.”

Ela insistiu: “Mas existe de verdade? De verdade?”

E eu falei: “Não filha, mas você não quer que exista? Então existe! A gente pode acreditar no que a gente gosta. Não existem fadas, e nem os personagens do desenho, mas nós gostamos de acreditar que existe, não é?!”

Ela preferiu acreditar na fantasia e curtir e eu fiquei feliz por isso e não falei mais. Ela passou os últimos dias super ansiosa com o natal e fazendo cartinhas de pedido surpresa pro Papai Noel, tirou fotos no shopping e disse que se comportou muito bem.

Já tinha lido algumas vezes em grupos de algumas mães que ficaram extremamente chateadas sobre um amigo ter falado para o filho na escola que não existia papai Noel e Coelho da Páscoa. Preferi não chegar com um questionamento desse em casa e nem ter uma fantasia desmentida da pior forma, mas também me preocupei em não ser a “estraga prazeres”.

Ela chegou um dia da escola e disse que a amiguinha tinha falado que o Coelhinho da Páscoa existia e ela disse que não. Eu falei que a amiga acreditava que existia e ela não podia desmentir e que o mais importante era cada um acreditar no que gostava.

Algumas pessoas acham que eu não devia ter falado a verdade, deveria ter deixado ela acreditar em toda a fantasia e ainda que deveria contar que o Papai Noel barbudo vem lá do Polo norte com seu trenó entra pela chaminé e deixa os presentes na árvore. Acontece que eu não tenho chaminé. Kkkkk Brincadeiras a parte, apesar da verdade ela escolheu acreditar na fantasia.

Eu não sou do ‘tipo’ que paga até R$500,00 para um senhor barbudo passar na minha casa na noite de Natal, mas tem quem goste dessa fantasia. Poderia ter comprado uma roupa de papai Noel para algum familiar vestir? Poderia. Mas será que se elas  identificassem a pessoa não ia ser pior?

Eu fiz (assim como ano passado) um vídeo com o aplicativo KRINGL, que o Papai Noel aparece na sua sala e mexe no saco de presentes e disse que a câmera pegou o momento em que ele passou. Os olhinhos brilhavam.

KRINGL aplicativo papai noel na cena

Cada vez que apareciam mais presentes na árvore elas ficavam empolgadas dizendo que o papai Noel tinha deixado mais presentes e saíam lendo na etiqueta o nome (das avós, tios e tias). Eu cheguei a falar que tinha que sair sozinha (quando fui comprar os presentes) porque ia falar pro Papai Noel qual loja tinha o trem que a Lala queria.

Na hora de distribuir, cada familiar deu o seu e ela acreditou (a Bruna entende mais, a Clara vai na onda) que o papai Noel deixou na casa do tio, ou da tia, ou que eles mesmos deram, sem grandes questionamentos. Ao mesmo tempo, elas sabem que quem comprou o presente do papai(marido) fomos nós, assim como o da Alice e das avós, mas escolheram acreditar que o Papai Noel da roupa vermelha trouxe o restante. E de verdade? Acho que essa fantasia faz parte da infância e é muito gostosa de ser vivida, além de fazer muito bem à imaginação, criatividade e desenvolvimento.

Hoje se eu quisesse criar um padrão para os Natais na minha casa, uma boa saída seria: amigo secreto entre os adultos e papai Noel trazendo os presentes das crianças. Tem famílias que têm mais tradição e organização, com natais que acontecem há anos e anos da mesma forma. Isso fica mais difícil com as separações, os natais divididos e as novas famílias.

Na minha família o importante era nos reunir com os mais velhos. Na minha sogra, a mesma coisa. Já conseguimos inclusive reunir em Brasília. Agora com a NOSSA grande família e nossa casa, tentamos agregar o máximo os nossos familiares e criar uma tradição com nossas mães e irmãos e quando possível com nossos avós e primos.

Cada um sabe das suas escolhas. Eu escolhi assim, mas uma prima escolheu diferente. Tem certo e errado? Não.

Com a idade os questionamentos virão. Elas só tem 5 anos, quase 3 anos e 5 meses. Enquanto elas quiserem acreditar na magia do Papai Noel, assim vai ser. Como já falei diversas vezes prefiro um equilíbro. Não faço um esforço enorme para que elas não descubram a verdade até quando adultas mas também não acabo com a fantasia. Falei a verdade e permiti que elas escolhessem acreditar na fantasia. E se acreditar faz bem a elas, vou alimentar a fantasia dentro do que eu posso/acredito. E ninguém vai estragar a magia do Natal com um comentário porque elas escolheram acreditar e essa é uma verdade delas.

bru clara alice masi natal

A escolha de cada família deve ser respeitada, com ou sem Natal, com ou sem Papai Noel barbudo, com ou sem fantasia. O que não pode faltar é o amor, a oração e o significado da data. Por mais que o que fique marcado seja a troca de presentes, é necessário falar sempre sobre o nascimento dAquele que veio para nos salvar, e que a troca de presentes é uma forma de agradar quem é importante pra nós.

Natal familia masi

E essa foi em 2014

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Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (5), Clara (3) e Alice (1). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.