Se tem uma coisa que eu acho que acertei no início da gestação foi conhecer uma doula e me agarrar nela, já que eu não sabia com qual médico seguiria nem em que cidade eu teria minha bebê (pois havia acabado de me mudar).

A única certeza que eu tinha é que para o parto sair da forma que eu queria (dento do possível, claro) eu precisava de uma pessoa que me apoiasse e enfrentasse comigo algumas decisões, me alertando e orientando. Meu marido me apoia e quer que eu me sinta à vontade para escolher a forma de trazer nossa filha ao mundo, então com o aval dele sigo nessa busca.

O mais difícil dessa trajetória é descobrir que mesmo quando você acha que acertou, descobre que ainda não é o ideal. Mas existe ideal? Será que o problema não é esse? Idealizar demais? Muitas pessoas podem achar que sim, mas eu discordo. 

Se eu não me cercar de pessoas que pensam como eu e que acreditam na minha história e determinação, como eu vou chegar perto do meu ideal?

Primeiro procurei o médico top da gestação da Clara, que era a favor do parto vaginal mas pratica episiotomia de rotina, e ele concordou em não fazer o corte. Mas porque eu arriscaria uma equipe que não tem procedimentos padrões como os que eu busco?

Entre a primeira e a segunda consulta com ele, passei em outra médica (2).

Referência em humanização, ela me pareceu bem calma. Depois da segunda consulta com o primeiro médico, tive “certeza” de que era com a equipe humanizada que eu seguiria. Ela não me oferecia um “pacote”, e sim a possibilidade de contratar profissionais humanizados conforme necessidade, e isso também me encantou. Mas tinha um problema: eu teria que me deslocar até São Paulo no final da gestação com a família toda e torcer por uma vaga em sala de parto normal, ou acabaria mais uma vez parindo numa sala gelada de centro cirúrgico e isso era o que eu menos queria.

Resolvi então procurar um médico que me indicaram na cidade nova. Na verdade me indicaram dois médicos (vou chamar de número 3 e 4, para não expor ninguém).

Fui lá no primeiro (3) e ele foi super acolhedor. Me encantei. Decidi que o plano B viraria plano A. Eu já havia visitado a maternidade que ele indica para o PN, que tem uma sala preparada e havia gostado apesar da pouca referência sobre o local (estrutura de UTI, qualificação dos profissionais, etc).

Marquei uma consulta com a médica 4, mas ficou somente para o outro mês. Fui então na segunda consulta com o médico 3 e estava praticamente decidido que seria com ele. Não sei se é coincidência ou não, mas até hoje os GOs (ginecologistas e obstetras) homens que passei foram mais ‘queridos’ do que as mulheres, e acho que por isso eu me senti acolhida. No bom sentido, eles se ‘vendem’ melhor.

Eu sou uma pessoa que não enfrento e questiono muito as pessoas e normalmente me acomodo com o “bom”, mas não é isso que tem acontecido nessa gestação quando o assunto é o meu parto.

Se o jardineiro chega em casa e avisa que precisa de X produtos para cuidar da terra, da formiga ou da praga, eu pergunto se não tem outro jeito, e em seguida respondo: ok!

Se o marceneiro avisa que o armário não vai ter o puxador X porque não é compatível e me oferece o Y, que também vai ficar muito bom, eu entendo e aceito.

Esses dois exemplos dizem respeito a assuntos que eu não domino, que não tenho conhecimento e que não vão mudar a minha forma de viver ou de me realizar, diferente de  quando eu falo de como vou trazer a minha filha ao mundo. 

Já falei aqui antes que eu não acreditava no meu poder de parir um bebê e muito apreensiva enfrentei um parto que eu esperava ser com analgesia e não foi.

Sem saber que estava em trabalho de parto, sem curtir cada fase dele, com a tensão da médica que não chegava, em posição desfavorável, com dor no cóccix, com parte da perna imobilizada, em uma sala gelada com a porta aberta e cheia de gente desconhecida que chegava e saía sem pedir licença, que vinha ver a gestante que chegou com “dor de barriga” e 7cm de dilatação e dilatou 3cm em uma hora, bolsa rota e não tinha médica na sala e ela chegou 3 minutos antes de nascer, (ufa, respira!) com tudo isso eu dei a luz a Clara.

Porque depois disso tudo eu deveria aceitar um médico (por mais legal e humanizado que seja) que tenta me convencer de que eu preciso ter um anestesista humanizado de prontidão no hospital? Porque ele não acreditou na minha história e no poder que tenho de parir sem intervenção, já que essa é a minha vontade?

Eu passei em consulta, gostei da anestesista, sei que cada parto é um parto e que eu posso querer a analgesia, entendi que em alguns casos ajuda no trabalho de parto e relaxa o períneo, mas eu também tenho o direito de não querer ficar com a cânula nas costas pronta pra receber a droga, não tenho?

Decidi então que aquela consulta com a médica 4 marcada já há 1 mês não vai ser desmarcada e vai ser com 33 semanas que vou conhecer a quarta médica dessa gestação, uma pessoa que tive ótimas referências de oferecer um atendimento respeitoso.

Se eu precisar de analgesia, de intervenção ou até de uma cesárea, eu quero ter certeza de que foi por necessidade e melhor desfecho e não por outro motivo. Quem vai decidir como vai ser não sou eu ou o médico 1, 2 ou 3. Vai ser a Alice e o que Deus nos reservar, (sempre com os exames em dia e bem orientada pelos médicos) mas vou ter pessoas ao meu lado que acima de tudo respeitam o nosso momento e colocam os meus interesses e a nossa saúde acima de tudo.

O mais triste é que eu tenho acesso à informação, tenho opções e estou passando por isso tudo podendo pagar médicos particulares. Imagina quem não pode.

Já não tenho certeza sobre o médico, nem sobre a maternidade, mas uma coisa eu tenho cada vez mais certeza: estou buscando conhecimento para questionar os meus direitos e encontrar uma equipe que acredite em mim. Isso não seria possível sem participar de grupos de discussão de parto, sem encontros semanais em grupos de apoio e assistência ao parto humanizado, sem me informar e correr atrás, sem chamar as amigas grávidas entendidas/informadas/empoderadas/que-tem-interesse-no-mesmo-assunto meia-noite no whatsapp e discutir o que ouvi e aprendi e sem dividir minhas dúvidas e angústias com a doula. Então se vocês querem ter um atendimento mais respeitoso não desistam, desabafem e busquem apoio.

Obs 1: Em nenhum momento quis reduzir ou julgar os médicos que estudaram anos e tem anos de experiência os chamando por números, apenas não posso expor alguém que não está aqui para defender seus ideais e suas condutas.

Obs 2: Apesar dessa mudança de médicos, meus exames pré-natais estão em dia, os ultra-sons principais estão feitos e minha pequena não para de se remexer. Estamos na torcida para que ela vire (post) e tenha apresentação cefálica. 

bjssss

Aninha

31 semanas e contando..;)

Na próxima semana começa o SIAParto (Simpósio Internacional de Assistência ao Parto) com profissionais renomados nacional e internacionalmente. Vou tentar acompanhar e trazer informações para vocês.

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.