Abro um espaço aqui no blog para que outras pessoas possam compartilhar suas histórias de empoderamento, coragem e força. O relato de parto de hoje foi contado pela Aline, esposa do Rodrigo e Mãe do Dudu, que encontrou apoio na doula Bel e no Dr. Hemmerson Mangioni, do Instituto Nascer em BH, para ter seu tão sonhado parto normal após a cesárea.

Segue meu relato, com carinho, uma das historias mais emocionantes da minha vida!!!!

Sobre ansiedade, medo, expectativa, fé e realidade!

O meu relato vai um pouco além, de como aprendi nessa gestação a lidar com a ansiedade, as expectativas e os medos para o grande momento do parto – como de uma certa maneira minha experiência pode ajudar às outras mulheres, com uma historia parecida com a minha e com o mesmo desejo que o meu… ter o seu VBAC (um parto normal após uma cesariana).

Minha história… a cesárea anterior

Há dois anos eu vivi uma cesárea e talvez não tinha como ser diferente, meu primeiro filho estava sentado até o último momento e meu sonho de viver um parto normal foi adiado.  Estaria tudo bem, se meses depois eu não tivesse começado a me questionar o modo como foi feita aquela cesárea. Por que quando a gente não tem informação, a gente acha que tudo está certo, ou que tudo aconteceu de maneira correta, o bebê nasceu com saúde, a mãe ficou bem no pós operatório, o que mais eu poderia pedir?  Toda vez que eu me questionava, as pessoas voltavam com essas frases.  Minha cesariana foi feita exatamente como o “método” tradicional brasileiro reza, nada diferente e isso me fez acreditar por algum tempo que eu tive um parto “perfeito” dentro do esperado.

Porém, quanto mais a vontade de ter um segundo filho se aproximava, mais procurava entender uma forma mais respeitosa de traze-lo ao mundo, buscava informações e  conhecimento que tanto me fizeram falta no primeiro filho.

A busca pela equipe que acreditava

E assim, nessa busca, após meu positivo, me deparei com várias portas fechadas. Escutava sempre a mesma coisa, uma vez cesárea, sempre cesárea, risco de ruptura uterina e por ai vai… Se eu não tivesse a cicatriz da cirurgia, minha vontade era de omitir esse pequeno “detalhe” para o médico. Foram quatro portas fechadas. Quatro médicos tradicionais que disseram não…  e por incrível que possa parecer, eu quase me conformei com aquilo. Ainda bem que foi quase.

Já com 16 semanas, uma amiga me indicou o Instituto Nascer e eu já cansada de ficar de médico em médico, explicando minha história, resolvi tentar a última vez, liguei e agendei a consulta para dali a poucos dias.  Marquei a consulta entre um compromisso e outro, e fui sozinha, sem meu marido, que essa altura já estava certo que o melhor para nós, seria uma cesárea, com o mesmo médico do meu primeiro filho. E assim fui para o Nascer, e me encontrei com Hemmerson, que prontamente e com paciência me escutou até o fim, por que falo muito, e me explicou tantos conceitos até ali desconhecidos – eu tinha medo de parto natural, não entendia direito o parto humanizado e confundia algumas nomenclaturas… natural, normal… Na minha cabeça ou era parto normal ou cesárea. E a cesárea novamente… era meu maior medo. Só quem viveu a cesárea da forma como eu vivi, se encontrava na idade que eu me encontrava, diante de talvez a última oportunidade de viver uma gravidez e assim um parto normal, talvez me entenderia….

No momento que sai da primeira consulta, entrei no carro e chorei muito. Chorava e colocava tudo para fora que sempre guardei comigo sobre o meu parto e pensava, onde estava em 2014 que não conhecia o Instituto Nascer? Onde, meu Deus! Na mesma hora, voltei e fechei o PAI com a Suzy. Na mesma hora, tamanha minha certeza de ter encontrado o lugar certo. Não tinha duvidas, teria meu segundo filho com aquela equipe.

O empoderamento do Pai (marido)

E assim, ao longo das semanas seguintes, mais eu estudava e mais buscava conhecimento e informação, e mais certa de que queria um parto normal. Mas em casa, a situação era diferente, meu marido era totalmente contra.  O médico do meu primeiro filho o convenceu dos “falsos” riscos de um parto normal apos a cesárea, temia que algo acontecesse comigo e assim fomos até quase 34 semanas mais ou menos.  Me lembro que Hemmerson sempre me questionava sobra a decisão dele não ser a mesma que a minha. E esse foi um dos “medos” que contribuía muito para minha ansiedade. Eu queria muito, mas tinha que ser nós dois, e eu esperava que a qualquer momento ele mudaria de ideia. Eu tinha certeza que o convenceria cedo ou tarde, com informações, relatos de parto, filmes e cursos, mas o tempo estava passando rápido demais. Ele começou a mudar pouco depois que assistiu apos muita insistência minha algumas partes do filme “Renascimento do Parto”, em especial o depoimento dos pais e de uma certa forma fui recebendo o seu apoio de maneira completa.

As palavras que machucam e o medo do desconhecido

Estava certa que queria o parto normal, não queria outra cesárea, queria que meu filho escolhesse a sua hora de vir para o mundo, queria uma recuperação rápida, amamentar sem sentir dor no corte, poder pegar meu mais velho no colo e de alguma maneira, alguma forma, entender essa transformação que o parto faz na mulher. Sim, definitivamente, eu sou outra pessoa.

A sociedade de uma forma em geral é muito cruel com que precisou passar por uma cesárea, independentemente dos motivos e razões, e eu não queria aquela cobrança mais uma vez… e de novo o medo… eu escutei de uma médica durante essa gestação: você não teve um parto, você teve uma cirurgia! Nossa, como aquilo me machucou mais uma vez.

E minha gravidez seguiu assim, curti muito o momento, vivi intensamente, por que sabia que seria minha ultima, mas esse medo sempre me acompanhou. E isso não é bom, nos tira a confiança, o “emponderamento” da mulher, nos inibe do que somos capazes e nos afasta das pessoas. É preciso acreditar, buscar, sonhar e ter fé que vai acontecer da maneira que tem que acontecer. Mas nem sempre eu conseguia seguir assim. Em um desses momentos, na reta final, o medo e a ansiedade era tamanho, que Hemmerson sabiamente me chamou para uma conversa. Eu já estava com 38 semanas. Naquela semana meu tampão tinha saído, e isso me remetia muito a minha primeira gravidez. Tinha medo de perder liquido a ponto de ter que me submeter a outra cesárea. E é difícil explicar isso… acredite, é difícil. Cheguei ao consultório, tremendo e chorando um pouco. Carinhosamente ele segurou minha mão e me confortou e foi pela primeira vez naquelas ultimas duas semanas que me vi tranquila. E como Deus sabe de todas as coisas, essa conversa com meu médico foi fundamental para as próximas horas.  Foi Deus que me levou aquele dia para aquela conversa, por que naquele dia meu corpo me deu sinais claros que meu caçula estava por vir.

O início do trabalho de parto, a bolsa rompida e as contrações

Eram 20 horas da noite de sexta feira, e uma dor insuportável tomou conta das minhas costas. Peguei o telefone e mandei uma mensagem para minha querida doula, a Bel. Sempre falei com ela que nosso encontro foi de almas. Ela me orientou naquele momento, explicou me que o corpo já estava preparando para o parto e me disse para controlar a respiração, bolsa de agua quente e vida normal. Na manha seguinte, no sábado, acordei com poucas dores, e resolvi seguir meu dia conforme planejado anteriormente. Meu marido trabalharia naquele dia e eu ficaria com meu filho mais velho. Tomei café da manha e o levei para a aula da natação. No caminho de volta para a casa, as dores aumentaram muito. Mal conseguia dirigir. Cheguei em casa, dei almoço para o pequeno, almocei e resolvi descansar um pouco. Peguei um chocolate, liguei minha play list carinhosamente preparada para o parto e deitei, buscando fazer exatamente o que a Bel me orientou: respirar devagar. E ali fiquei por uns vinte minutos, até que em um completo estado de relaxamento, minha bolsa rompeu. Um “mundo” de água molhando toda minha cama. E eu estava tão calma, tão tranquila, que fiquei ali esperando aquela água parar de sair do meu corpo e dai então levantar. Lembro que ficava rindo e pesando: é real, meu filho chega hoje. Peguei meu telefone, liguei para meu marido e mandei uma mensagem para o Hemmerson – em seguida fui tomar um banho para me preparar para ir para a maternidade. Lembro que durante o banho, passava a mão na minha barriga e falava: Filho, você esta chegando!!!

A ida para a maternidade e o encontro com a equipe

Meu marido chegou em casa e apos alguns alinhamentos com Hemmerson decidimos a maternidade. Mas dai o medo voltou. Minha bolsa rompeu e as dores sumiram… como assim? Lembro que ao telefone, Hemmerson me explicou o que poderia me levar para a cesárea e o que poderia me levar para o parto normal.  Não sentia mais as contrações.  E se elas não voltarem? E se eu não dilatar? Eu nunca vou saber explicar esse medo, logo eu que sempre fui muito segura das minhas decisões.  Rezei uma Ave Maria e comecei a pegar as bolsas.  E a medida que eu rezava, as dores voltaram, proporcionalmente ao tamanho da minha fé. Rezava e pedia as contrações. Sabia que estava preparada para elas.  E elas vieram. Dei um beijo no meu mais velho que estava na soneca da tarde, e disse baixinho que buscaria o irmãozinho dele. Já na porta de casa, pedi ao meu marido para esperar, sentei e mandei  mais uma mensagem para o Hemmerson. Pedi a ajuda dele para que eu não passasse por mais um cesárea. Logo ele, que jamais pensaria nisso! E ele me respondeu : Estamos juntos! E de tamanha bondade, grandeza e entrega, ele deixou um momento muito importante na família dele e foi ao nosso encontro, para tornar a minha família completa – eu jamais vou saber como agradecer por isso.

Aquilo me deu forças e no trajeto de 20 minutos da minha casa até o hospital, fui sentindo mais contrações e minha esperança de conseguir o parto normal só aumentava. Assim que cheguei à maternidade encontrei a Bel, que me deu um abraço igual de mãe e falou no meu ouvido: estamos juntas!!! Parece que foi combinado, mas não foi! A mesma frase que Hemmerson havia me enviado minutos antes. Mais uma vez, um sinal de que Deus também estava comigo.

Da fase latente para a fase ativa do trabalho de parto 

Fomos para a suíte de parto  já era quase 15 horas. Estava com 2/3 cm de dilatação e dores incomodas. Mal sabia que era só o começo. A partir daquele momento, me entreguei de corpo e alma. Ligamos a play list, abaixamos a luz e a cada contração com a ajuda da Bel, repetia: menos uma para ter você aqui Dudu, meu filho! E foi um trabalho de entrega e confiança, que foi trazendo de dentro do meu corpo, uma força que eu não sabia que tinha. A cada contração a dor aumentava,  intercalava com o chuveiro, a banheira  e deitava um pouco.  Cada vez que eu deitava, eu fechava os olhos e me entregava àquele momento. Passadas três horas, minha dilatação não evoluiu.  Hemmerson conversou comigo, e disse que aguardaríamos mais um pouco. Nesse momento, agarrei à minha Fé e disse à Deus que aguentaria aquela dor, que poderia me mandar “mais”, eu estava ali, entregue. E assim, entregue, o trabalho de  parto evoluiu, nos unimos, acreditamos e a cada contração meu filho estava mais próximo. Mesmo estando disposta a enfrentar tudo, chegou um momento que não dei mais conta e pedi a anestesia.  Já fazia parte do meu plano de parto a anestesia.  Eu sabia que deveria respeitar meus limites. Hemmerson conversou comigo, disse que estava tudo bem querer a anestesia, me examinaria antes e chamaria o anestesista. Ao me examinar, a surpresa veio, já eram 20 horas e eu estava com 8 cm de dilatação. Estávamos quase lá!

Ele respeitosamente conversou comigo e me explicou os pros e contras da anestesia naquele estagio e principalmente o fato de que naquela hora  a anestesia poderia prolongar mais o parto. Ele me encorajou, disse que eu seria capaz de seguir, mesmo sem saber precisar quanto tempo ainda teríamos pela frente. Confiei nele. Acreditei nele. Me entreguei novamente. E seguimos sem anestesia. As dores foram aumentando.  Duas horas se passaram. A Quesia entrou no quarto. Que alegria, mais um rosto conhecido e amigo. A Bel sugeriu para eu sentar no banquinho de parto, e meu marido ficou atrás de mim. Lembro ate hoje do Hemmerson dizendo: Vai nascer! Vai nascer!  Dali passaram alguns 20 minutos.

O período expulsivo

Ficamos todos juntos nas ultimas contrações e a Quesia me explicando o momento do circulo de fogo, me orientando no momento do  expulsivo para fazer muita força. Fiz. Fizemos. E meu filho nasceu!  Direto nos meus braços! Hemmerson me ajudou e ajeitou ele no meu peito. Meu marido me abraçou de modo que o Dudu também o sentisse. E assim nos dois ficamos conversando com ele em meio a tantas lágrimas, contando o nome dele, Eduardo, nosso Dudu, que ele tinha um irmãozinho aqui fora, falamos da nossa família e assim ficamos juntinhos. Nossa Golden Hour.  E assim, depois eu cortei o nosso vinculo que nos unia no meu ventre, cortei o cordão umbilical para começar o nosso vinculo de afeto e amor aqui fora. Que emoção!!! Sete horas de trabalho de parto, para uma vida inteira lembrar! E meu marido, que tanto tinha receio do parto natural, hoje o descreve, sempre emocionado, como um dos momentos mais importante de sua vida.

Ao final de tudo, lembro ainda do Hemmerson me dizendo, Nasceu uma nova Aline também, não é?

E é verdade! Ele não estava errado. E eu fico aqui escrevendo esse relato e pesando se Hemmerson sabe de como fez parte da vida da minha família de uma maneira tão intensa! É inexplicável o sentimento de gratidão que não tem fim! Gratidão eterna à ele, Dra Quesia e minha querida Bel!

Aline, Rodrigo, Dudu e Equipe maravilhosa do Instituto Nascer

Tiro varias lições desse momento na minha vida, do tanto que é importante acreditar em suas vontades, seus desejos, mesmo que em um primeiro momento possa parecer impossível – não desistir do seu sonho!

Ainda, aprendi, que o medo paralisa, por mais que buscava conhecimento, deixei o medo do desconhecido me dominar por diversas vezes, o que aumentou minha ansiedade, minhas expectativas e me afastava das pessoas que mais me ajudaria nesse momento especial. Já dizia um autor desconhecido… “uma cabeça cheia de medos, não abre espaço para seus sonhos”. Seguir tranquila principalmente na reta final, te ajuda a ter uma entrega maior na hora do parto. E se não fosse uma conversa franca e sincera com meu médico, um dia antes, talvez a entrega teria sido diferente… aprendi a abandonar os medos e a confiar, no maior sentido amplo da palavra confiança.

Trabalhar nesses dois pontos, na auto confiança e acreditar que é possível foi o que eu mais aprendi nesse processo todo.  Nasceu meu filho, meu caçula, nasceu uma nova Aline, nasceu uma nova família. E isso de fato me ajudou a ter um puerpério muito mais tranquilo do que o da primeira gestação. Senti uma paz e uma tranquilidade para viver esse momento tão lindo e delicado com meu segundo filho. Sei que esse momento é super importante para cada mulher, e viver o pós parto de maneira serena, te faz curtir em plenitude o seu bebe.

Que esse relato possa ajudar de alguma maneira, as mamães ansiosas como eu fui, passando tranquilidade para que esperem o momento mais lindo, por que tudo vai dar certo!

 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.