Peito murcho e leite secando? Isso é mito, mas calma… A primeira coisa que precisamos saber sobre a amamentação é: amamentação é estímulo. Para que a produção de leite aconteça, é necessário estímulo através da sucção e os hormônios se encarregam do restante (por isso a Glória Maria conseguiu amamentar a filha adotiva). Ponto.

E vírgula. Peraí que às vezes não é tão simples. 

Certamente você conhece pessoas que amamentaram com sucesso e sem grandes dificuldades e outras que “não conseguiram amamentar”.

O fato de não conseguir gera uma frustração muito grande na maioria das mães, mas grande parte desses casos acontece por falta de informação e assistência inadequada. Apontar o dedo e falar que não tentou o suficiente não ajuda, só cria uma barreira ainda maior entre quem amamentou e quem não.

Muitos fatores podem dificultar esse processo (dificultar, e não impedir) e por isso são considerados mitos da amamentação:

 

  • Histórico familiar

    Assim como quando o assunto é parto, o histórico familiar cria uma falsa ideia de que a pessoa está “condenada” a não conseguir porque a mãe ou a irmã não conseguiu, quando na verdade ela não teve o apoio desde o primeiro momento.

  • Cirurgia de redução de mama

    Em alguns casos a cirugia prejudica e muito o processo mas não impede. Cada pessoa é única e a circunstância deve ser avaliada. (Veja o relato da Mari Belem sobre isso.)

  • O leite secou

    O leite não seca do nada. O leite é produzido conforme estímulo e para que aconteça a mãe deve estar descansada, tranquila, bem hidratada e alimentada. Se o bebê recebe o leite através de mamadeiras onde o esforço para conseguir se alimentar é menor, a tendência é que,  aos poucos, perca o interesse no seio da mãe e com essa diminuição da procura e do estímulo, o corpo começe a diminuir a produção, já que ele entende que não é mais necessário. Quando a mãe nota essa diminuição, ela ainda pode ser revertida estimulando e extraindo o leite.
    A adequação da produção é comum nos 3 primeiros meses – quando o corpo regula a produção de leite às necessidades do bebê – e aos 6 meses (ou mais) – quando acontece a introdução alimentar. Quanto menos o bebê utilizar a mamadeira, maiores são as chances da amamentação ser bem sucedida.  Independente da idade da criança, o uso pode vir a provocar o desmame (com dias, meses ou mais de 1 ano).

  • O leite é fraco

    O corpo da mãe produz o leite de acordo com a necessidade de cada bebê. Não existe o leite fraco, mas em alguns casos os bebês não ganham o peso esperado porque não sugam com eficácia. (veja mais sobre o assunto no Grupo Virtual de Amamentação). Existem relatos de mães que extraíram o leite por meses para oferecer ao bebê por pura persistência, pois mamando direto no peito ele não ganhava peso. Ou seja, o problema não é a composição do leite materno e sim como ele é sugado.

  • O bebê não ganha peso

    Esse tópico só reforça o anterior. Se o bebê mama o suficiente, ele ganha peso. Se ele passa fome, é porque ele não está sugando bem. Outra observação importante: o bebê não precisa mamar nos dois seios da mãe em todas as mamadas. Quanto mais leite ele mama no mesmo peito, mais ele vai ganhar  peso, pois ingere maior quantidade de leite posterior (o leite rico em gordura – leia mais aqui). Além disso, ele não fica acostumado a só mamar o peito cheio e jorrando leite, e tem menos chance de rejeitar quando o seio está murcho.

  • Peito murcho

    Peito murcho não significa peito sem leite. Vocês já devem ter lido por aí uma frase que já virou jargão nos sites que defendem a amamentação: “Peito não é estoque, é fábrica.” Aproximadamente 20% é fabricado e estocado no peito e 80% do leite materno é produzido durante o aleitamento, após estímulo e sucção, e por isso é comum sentir o leite descendo poucos minutos após o início da mamada. (Veja essa informação no GVA)
    Os seios só ficam cheios mesmo nas primeiras semanas e meses da amamentação.

Seria muito fácil falar que é simples e que o bebê com a pega correta mama sem problemas, mas em muitos casos é necessário um tanto de insistência e determinação, além de ajuda profissional e uso de técnicas como de relactação e translactação.

Cada corpo é único, cada seio é único e assim como temos problemas individuais com ruins, coração e fígado, pode ser sim que uma válvula seja mais apertada que a outra, que o seio de uma mãe jorre o leite mais fácil do que o de outra. O importante é tentar, procurar ajuda e insistir. Saber que fez o possível. E não sendo possível, você sabe que fez o melhor.

Veja outros posts sobre AMAMENTAÇÃO AQUI.

Bjss

 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade.
Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.