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materia-kfSim, eu sei, estava sumida; mas nunca é tarde para voltar! Precisei me ausentar por um período e agora estou retornando de vento em popa para compartilhar com vocês um pouquinho do mundo infantil numa ótica psicológica.

E neste retorno, vou dar continuidade aos perfis de idade. Lembro que o último foi referente à idade de 5 anos e hoje descrevei sobre as características comuns e mais observadas na idade de 6 anos. Vale lembrar que cada criança tem sua individualidade, classe social, configuração familiar, entre outros, que são — sim! — fatores e aspectos que podem influenciar no perfil de comportamento de qualquer criança.

Vem comigo…

Sabe aquela fase meio conturbada em que a criança apresenta diversas mudanças? Uma hora está quieta e em outra muito agitada ou até mesmo um pouco irritadiça ou agressiva? Isso mesmo, a idade dos 6 anos é como se fosse “a adolescência infantil”, pois é considerada uma fase de transição e nas transições há conflitos, mudanças e novas posturas a serem adotadas, bem como uma maior conscientização e percepção do mundo ao seu redor.

Aos 6 anos dão-se as modificações fundamentais, tanto somáticas quanto psicológicas. Começam a cair os dentes de leite; começam a sair os dentes molares permanentes, a química do organismo também sofre alterações sutis que refletem numa maior susceptibilidade às doenças infecciosas (é muito comum dores de ouvidos, problemas no nariz e garganta aumentarem com frequência, sem contar os resfriados).

Vale salientar que uma criança de 6 anos não é uma criança de 5 anos mais crescida e melhor, é uma criança diferente porque está em transformação – novas propensões, novos impulsos, novos sentimentos e novas ações devido às modificações profundas no desenvolvimento do sistema nervoso que lhes é subjacente. É como se nessa fase a criança estivesse “recebendo” uma nova herança psicológica que não vem pronta; ainda está desorganizada e  colide com os esquemas já aprendidos. Tais considerações reforçam as dificuldades encontradas pela crianças de 6 anos. E é neste sentido que ela tende a comportamentos extremos ou até mesmo a decisões conflituosas. Por exemplo, uma simples pergunta: “Você quer picolé de chocolate ou de fruta?”, podem deixá-las muito indecisas ou pensativas, como se estivessem em um grande dilema. Isso ocorre porque estão em questão novos fatores emocionais, mas indica que a criança está crescendo. Conflito é sinal de crescente maturidade. É nessa ginástica de opostos que a criança começa, lentamente, a fazer escolhas.

Tais contradições não necessariamente são vistas em suas escolhas, mas também em seus comportamentos: chora, mas seu choro transforma-se facilmente em um riso e do riso em lágrimas novamente; fala para mãe que a ama muito, para logo depois chamá-la de chata. Apesar desses comportamentos contraditórios, os adultos não devem permitir maus comportamentos e muito menos reforçá-los, porém não devem desconsiderar a fase de transformação que a criança está passando. Realmente é um momento de muita paciência e malabarismo para os pais. Podemos até fazer uma comparação: da mesma maneira que uma criança pequena apresenta uma inabilidade no manejo com os talheres, uma criança de 6 anos nesse estágio apresenta uma inabilidade nas relações sociais – uma hora pode ser boazinha com sua irmã pequena e pode ser também muito má em outros momentos ou até mesmo na mesma hora. Ou é superdecidida, ou hesita ou desiste; quer sempre ganhar ou ser a primeira em jogos/brincadeiras, e isso faz com que seja briguenta e acuse outros. Entretanto, quer que gostem mais dela do que de outras crianças.

Assim, a característica mais marcante na idade do 6 anos é a incapacidade de modulação no comportamento – tem mais consciência, porém não sabe ainda manobrá-la/administrá-la. Com o tempo a criança vai amadurecendo e essa incapacidade diminuirá.

Ê, fase ativa! As atividades corporais são bem movimentadas, barulhentas ou até violentas, chegando a exceder seu comportamento motor, não medindo as consequências (se irá cair ou não).

A hora do banho muitas vezes é um momento de guerra e resistência, principalmente com os meninos; adoram argumentar ou dar uma desculpa.

Demonstram uma maior habilidade nas mãos no que diz respeito a construção: têm prazer em construir ou até mesmo desmanchar. Nas meninas podemos notar um grande interesse em vestir bonecas e despi-las. Nos meninos montar blocos/torres e depois derrubá-los.

Alimentação: apresentam um melhor apetite e passam o dia inteiro comendo. No período da manhã costumam ter a alimentação mais fraca, podendo ser acompanhada de dores no estomago, náuseas e, raras vezes, vômitos. É mais comum comerem bastante no período da tarde e antes de dormir, podendo acordar no meio da noite com fome.

Como salientado acima, a idade de 6 anos é uma fase de grandes mudanças na qual a criança está se preparando para uma fase mais madura. Por ser uma idade conturbada, é para os pais uma fase que exige bastante paciência. Mas fiquem “calmos”, dali por mais um ano, a criança já será capaz de dar melhor conta de si e apresentar posturas mais coerentes.

Quem tem filho(a) com 6 anos? Como ele(a) é? Banho? Sono? Rotina?
Compartilhem com a gente!
Beijos e até breve!

Sobre Lilian Britto

Graduada em Psicologia pela Universidade Salvador – UNIFACS e pós-graduada em Psicologia Analítica pela Psiquê - Centro de Estudos C. G. Jung, atua como psicóloga clínica com crianças e adolescentes. Além de coordenadora de cursos da Clínica Psiquê, presta trabalho voluntário na Fundação Lar Harmonia junto a crianças carentes. Apesar de ainda não ser mamãe, é apaixonada por crianças e, por isso, dedicou e dedica a sua formação profissional nesse fantástico mundo infantil.