Senta que lá vem a história… 

Segunda-feira, 13:30, recebo uma mensagem da Pri Perlatti, do Mamatraca, oferecendo ingresso para a pré-estréia do filme “O Renascimento do Parto”. Gritei, pulei, fiquei super feliz e claro, aceitei o convite! Elas são apoiadores do filme e tinham algumas entradas cortesia.

Fomos eu, Pri, Loreta e Barbara, (Anne tb) felizes da vida numa sessão de cinema pra lá de especial.

 

A primeira vez que tive contato com o filme foi através do trailer que chegou até mim pelo facebook (postado pela página da Rede Mulher e Mãe), e eu postei aqui no blog em novembro de 2011! Eu ainda não pensava em ter a Clara, tinha tido uma cesárea agendada há 1 ano e meu comentário na época foi: “O vídeo é lindo e a produção muito legal mas na realidade não é tão simples, não é mesmo? Rsrs”.

Lembro perfeitamente de um comentário dizendo que era sim, simples, natural e a gente que complicava. A grande verdade é que eu nunca fui informada o suficiente pra ter opinião favorável à humanização do parto, mas nunca é tarde para aprender e querer passar adiante.

 

Quando engravidei da Clara, procurei um médico super recomendado por algumas amigas e que é favorável ao PN. Ele foi essencial na minha gravidez para que eu optasse pelo parto normal, como já comentei no post “Diário de uma gravidez: 28 semanas completas”. Aliás, mesmo ele falando que eu teria um PN, o assunto Parto Normal já tirou meu sono, como contei aqui.

 

Bom. Mas para uma paciente a favor da cesárea, com uma filha de cesárea agendada não adiantava falar que o parto humanizado era algo mágico e único, porque eu iria sair dali fugindo, como aconteceu no dia em que eu fui a uma casa de parto humanizado com a Bruna serelepe e a atenção voltada ao celular. Falar de alma e espírito pra mim, naquele momento, não era nem um pouco realista. Não me conquistou!

Até então, nem convencida do PN hospitalar com analgesia eu estava (meu médico reafirmou na consulta 1 mês depois desse episódio), então imaginem se eu ia entender o poder da mulher e das energias no parto. Pra quem não está preparado pra ouvir isso, é a mesma coisa que Blá bla blá.

 

Mas sabem porque eu comentei isso? Porque depois de um VBAC (Parto Normal após cesárea) e desse filme, a minha vontade é fazer diferente. É ser ativista, é promover o conhecimento e disseminar informação. E mais: é ter condições financeiras de daqui a alguns anos ter uma terceira gestação e  um parto humanizado. Receber minha filha no colo sem panos azuis entre nós, sem aquela sala cheia de gente desconhecida. Se for pra ser cheia, que seja com a minha mãe, minha sogra, minhas irmãs e cunhadas, e todas as pessoas importantes na minha vida. Morro de dó de imaginar a minha sogra lá no corredor sem saber “em que pé estava a situação”, tendo que cuidar da Bruna, isolada de nós desde o momento que entrei pra ser examinada.

 

Depois de assistir ao filme, preciso fazer alguns agradecimentos e pedir desculpas.

 

  • Agradeço à Deus por ter me permitido PARIR. Eu nunca, NUNCA, gostei desse termo. Sempre achei feio, selvagem, esquisito, mas depois que você pari a primeira vez, você entende o significado dessa palavra e começa a usar sem problemas.
  •  Agradeço pelo meu médico ter incentivado o PN, mesmo que com procedimentos como episiotomia.
  •  Agradeço à fdp (kkkkk) da enfermeira que fez o toque que provocou a saída do meu tampão, acelerou meu trabalho de parto e assim eu vi que fui capaz aguentar as dores do parto sem analgesia e anestesia. Se meu médico não estivesse viajando eu provavelmente teria um PN sem dor, e não seria tão legal.
  • Agradeço às amigas: Val, que quando viu que eu considerei a hipótese de fazer um PN me enviou links do post que a doula escreveu sobre o parto dela (ela teve um PN com episio e depois um Parto natural); a Mariléa, que teve um PN nada normal e super sofrido na Espanha e me alertou com sua experiência; à Camila, que teve um PN sem analgesia por falta de médico (interior) e disse que teria novamente outro PN mesmo após relatar que “saiu de si” com a dor e xingava todo mundo durante as contrações (hahaha).
  • Agradeço as amigas blogueiras Anne, Pri e Lia, que me incentivaram através de seus posts de VBAC. E a Thais, que deve gêmeos de PN!
  • Agradeço até ao meu tio e primo médicos que disseram que eu querer um PN após cesárea era bullshit, e que eu deveria desistir da idéia, o que me deu ainda mais vontade de conseguir!
  • Agradeço ao meu marido que esteve ao meu lado, me encorajou e me encheu de elogios quando consegui. Também agradeço por ele não ter deixado o anestesista entrar na sala de parto porque ele tinha cara de muito jovem.
  •  E as desculpas… peço desculpas à minha irmã, Thais, que quando grávida comentou que queria um parto natural e eu a desencorajei. Ela dizia que tinha uma casa de Parto humanizado no Rio e que ela gostaria de ter lá, e eu disse que a idéia era absurda, que cesárea era muito melhor. Isso, associado à médica de plano de saúde + cansaço de final de gestação, já sabem né? Cesárea agendada.

 

Desde o meu parto tenho vontade de fazer o curso de doula e ainda não tinha contado aqui pra vocês. Vou fazer sim, e não é com pretensão profissional por enquanto, é para poder ajudar e orientar minhas irmãs, cunhadas e amigas.

 

Logo depois do parto fiquei chateada com uma publicação que vi no facebook sobre os procedimentos desnecessários realizados nos partos e pensei: “Poxaaaaa! Eu tinha feito cesárea e estava “errado”. Agora que fiz um PN super legal e sem analgesia (que nem estava nos planos), “nêgo” não ta satisfeito e o meu PN não tem tanto valor pq teve uma episio?? Porque cortou o cordão no primeiro minuto antes de vir pro meu colo?”  Hoje isso não me magoa mais. Se eu não tivesse feito dessa forma, não teria feito de forma nenhuma! A diferença de uma cesárea agendada para um parto natural era muito grande pra minha cabeça na época e agora sim eu consigo ver as coisas com maior naturalidade.

 

Depois desse filme, vi que os videos dos meus partos se parecem demais! Sei que não foi. Sei que o meu PN foi muito melhor pra mim e pra Clara, mas a sala gelada e azul do centro cirúrgico não me agrada mais. Fiz esse vídeo (abaixo) para um post Comparando: Parto Cesárea e Parto Normal, e coloco aqui novamente pra vocês.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=GSl14M705Vc&feature=share&list=TLaRBmnQpnjx4[/youtube]

Hoje eu entendo o termo tão usado por eles, ativistas do parto humanizado: o EMPODERAMENTO. Se empoderar é você saber e ter a opção de escolha. Não importa se vai parir no mato, em casa ou no centro cirúrgico. Tem que ser NOSSA a opção. Conhecer o seu corpo, saber como evolui o parto, como será cada fase. Saber que pode demorar mais de 1h por centímetro; saber que não nasce necessariamente até 40 semanas, saber que cordão no pescoço, a pressão alta, o strepto positivo, bebê grande ou pequeno demais e baixa estatura não são motivos pra cesárea e que toda mulher entra em trabalho de parto. Em condições normais (de baixo risco) é lindo poder pensar em viver esse momento natural.

 

Se optar por um parto que não seja natural, sem problemas também. Mas converse com o médico. Exija que o bebê fique com você, que vá pro colo, que mame logo. Saiba o que é melhor pra você e pro seu filho. Não podemos ser coadjuvantes e aceitar os procedimentos padrões que outras pessoas definem.

 

Saí do cinema na terça cheia de vontade de escrever, deu pra perceber né?! Cheia de vontade de gritar pra todo mundo: ASSISTAM AO FILME!!!

Segue o trailer:

[youtube]http://youtu.be/1zB-5ASFqm0[/youtube]
Parabéns a todos os envolvidos nessa produção e benfeitores! Tive o prazer de ver o debate após a sessão com Ana Cristina Duarte (obstetriz e ativista), Dr. Jorge Kuhn (médico obstetra), Érica de Paula (doula, produtora e roteirista do filme) e Eduardo Chauvet (diretor do filme).
Foto: Flávia Mesquita
Foto: Flávia Mesquita
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cartaz personalizado o renascimento do parto
Bjossssss
Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.