Oiiiii pessoal!!!

Quem me segue no facebook já sabe do que vou falar hoje. É sobre o que não achei que eu iria sentir, a incompetência… mas depois do ocorrido cheguei à conclusão que é um sentimento nativo da maternidade, assim como a famosa Culpa.

É como muitos dizem: não podemos achar que só acontecem com os outros… Um dia você cospe pra cima e cai na testa!

Na quarta-feira fui a um encontro de gestantes sobre parto humanizado. Era em uma clínica com obstetras, doulas, equipe especializada. A sala do encontro era bem “zen”, com um tatame. Todas as grávidas tiravam o sapato, pegavam uma almofada e sentavam no chão.

No começo todas se apresentaram e fui sem sincera em dizer que tive uma cesárea mas nunca sonheiiiiiii de fato com um parto normal, mas que estava mais disposta a esperar dessa vez e queria aprender mais sobre o assunto. Claro que eu era a única com esse “papo”… todas as outras estavam muito mais decididas quanto ao parto humanizado, natural, normal…. via vaginal.

O primeiro slide da apresentação dela era um bonequinho com uma Cabeça gigante, corpo quadrado e ventre pequenininho, com um notebook e iphone na mão. Carapuça serviu. Ela disse hoje estamos pensando demais e esquecendo do resto… que estamos sempre conectados e precisamos deixar isso um pouco. Que os valores estão invertidos.

Bom, até aí tudo bem.

Eu, como sempre, levei água, frutas, brinquedo, tudo para minha companheira de atividades, a Bruna. Também pegamos um lápis e papel na recepção para ela desenhar. Marido estava viajando, eu saí atrasada de casa, e achei que ela iria se comportar, assim como fez semana passada enquanto eu fiz unha, peeling, etc. Acho que a soneca que ela tirou no carro recarregou as baterias… e aí ferrou tudo. kkkkkkkkkk PREPAREM-SE:

Ela estava elétrica. Pediu um spaguetti, aqueles de hidroginástica, sabe? Mas era bem curtinho… tipo metade.
A moça disse que eu podia pegar. Dei pra ela se distrair e ela começou a brincar estabanadamente, batendo na mulher. Chamei a atenção (1). Ela continuava elétrica. A mesma moça (doula que acompanhava a palestrante) pegou mais brinquedos pra ela… Ela brincou um pouco. Começou a andar. Peguei a Uva. Comeu 2 ou 3 e continuou brincando, mas sempre estabanada (Chamei a atenção…2,3, 4…). Tentei dar o iPhone. E ela nem se interessou. Preferia fazer barulho e esbarrar na doula que pegou os brinquedos.

Até aí eu estava prestando atenção e participando. Marido mandou mensagem… estava comprando umas coisas que pedi e esqueceu que eu estava lá. EU, comecei a responder, tentando ajudar ele a escolher. Errei. Sei que se eu falasse que não dava pra falar, ele iria se chatear, afinal, estava fazendo o que eu pedi, que para um Homem é a coisa mais difícil do mundo: tentando comprar um sapato e uma calça pra Bruna. E ela, agitada. Mas eu ainda estava participando.

Depois, começou a correr em volta da mulher que estava explicando, e ela gentilmente dizendo que não tinha problema, que estava acostumada (ela tem uma filha da mesma idade). Pedi pra Bru parar (5). A mulher não dava conta mais de trocar o braço enquanto a Bruna corria em volta dela (chamei a atenção 6), e a Bruna simplesmente achou mais fácil se apoiar no CABELO da mulher. Até que ela terminou  de dar a volta e, óbvio, puxou o cabelo dela. Levantei, peguei ela firme no colo (acho que acharam que eu ia bater na menina de tão séria e brava que eu estava!! hahaha), pedi desculpas e ela continuou dizendo que não tinha problema. Fui para a entrada da sala, mais perto da Porta, para ela não ficar transitando no meio da explicação. Conversei baixinho com ela… mais uma bronca. (7?) e fiquei sentada ali. Ela pegou o sapato. Colocou e saiu andando no tatame. Pediu pra uma das grávidas colocar o sapato nela. Voltou. Pediu água. Peguei na bolsa. Ela tomou, derrubou no tatame. Voltou lá pra menina colocar o sapato nela de novo.

Nisso a explicação falava de emoção, sentimento, alma, espírito. E o marido mandando mensagem. E a Bruna agitada. E todas olhavam. E eu perdendo a paciência e pensando: O que eu vim fazer aqui com “essa menina”? E o marido indeciso. E eu com dó de “dar um fora” nele.

Até que respondi mais mensagens no celular, e a mulher que estava perguntando sobre a diferença da alma e do espírito disse: “Olha lá, ela ainda está no primeiro slide, conectada no celular.”…. Nossaaaaa, me senti um lixooooo, humilhada. Por tudo… pela bagunça da Bruna, pela minha falta de educação com a mulher, por ter sido exposta daquele jeito. Pensei: “É eu não devia mesmo ter vindo.”. Não com a Bruna, não com o celular comigo, não “despreparada”, embora eu tivesse achando que cheguei lá preparara e interessada… nessa hora já não queria saber se espírito e alma nenhuma… nem da experiência transcendental. E ainda me sentia “julgada” pelos olhares das grávidas não-mães, já que eu estava sem controle nenhum sobre a Bruna. E a Bruna cantando. Falando alto. Dei um basta.

Sala do encontro… com o chão molhado pela Bruna e minutos antes do “Basta”

Queria sumir. E era isso que eu ia fazer. Não adiantava falar pra Bruna falar baixinho… ela tinha que falar mais alto que a mulher… e continuava falando alto. Levantei, voltei no fundo, peguei os brinquedos. Guardei tudo no seu lugar, coloquei o sapato, e falei: “Desculpa gente… eu volto quando estiver preparada… não dá.”

A mulher disse que não precisava, que ela entendia… mas EU não entendia… eu não conseguia mais prestar atenção em mais nada. Embora no dia que publiquei no facebook eu estivesse muito mais SENTIDA e magoada, e achando que todas estavam me julgando, eu sei hoje que errei e que fui sem educação com o celular e estava totalmente “perdida”.

Não posso deixar de lembrar aqui que eu estou grávida e que as emoções ficam muito mais “à flor da pele” né?! Segurei o choro e saí da sala.

Chegando na recepção, a menina me ofereceu um copo d’água e eu disse que não precisava. Lembrei que a manta da Bru havia ficado na sala. Voltei pra pegar e escutei alguma coisa do tipo: “Quando não está preparada, é isso que acontece”. Não me perguntem se é sobre o tipo de parto, ou sobre a maternidade, sobre ter controle da situação. Só sei que aquele dia eu tinha sim perdido o controle. Estava me sentindo a mais incompetente de todas. Não vi quem falou e nem fiquei pra entender o que estava sendo dito. Eu só enfiei o braço pela porta e puxei a manta. Meu sangue subiu e chorei mais ainda.

Aceitei a água que a menina me ofereceu de novo. Falei que a Bruna é um amorrrrr, que ela estava super agitada e que devia parecer que eu não tinha controle nenhum, mas q não era. E que meu marido estava viajando e ficou mandando mensagens… e ela via que eu estava transtornada e só tentava me acalmar.

Terminei minha água, juntei minhas coisas e VAZEI de lá! Quase fugida. Aí sim voltei a responder o marido que eu estava dirigindo e não podia falar.

Chorei mais… Cheguei na minha sogra (onde eu ia dormir) e chorei mais. E postei no facebook, e lembrava, e chorava mais. E dormi mal a noite. Mas passou.

Aprendi que:

  • chega uma hora que os programas que não são para crianças, realmente NÃO SÃO. E ponto. Se não tiver com quem deixar ela, não vamos. (E olha que como já falei, ela foi comigo no peeling, na manicure, evento de gestantes, reunião sobre o blog.)
  • que não podemos julgar um único momento de uma criança e mãe/pai/família, se não sabemos como é a rotina (situações como essas podem acontecer pois eles são Crianças, quase bebês. E tudo pode acontecer por mais bonzinhos que sejam.)
  • Uma mulher não tem super poderes e não pode querer dar conta de gravidez, filho, blog, casa, sem errar ou ter que passar por situações que fogem do seu controle.
  • No dia que eu tiver uma babá (quando eu aceitar isso), eu tenho que ter estabilidade suficiente para nunca mais ficar sem. (Imagino que crie uma dependência absurda, principalmente para momentos como esse, compromissos pessoais)

Será que deu pra entender um pouquinho da angústia que eu estava sentindo naquele dia? Da incompetência e da vergonha? 

Comparei esse sentimento à famosa “Culpa de Mãe”. Você não sabe que existe até sentir pela primeira vez.

Então, queridas: Situações FOGEM SIM do nosso controle. A Maternidade é uma montanha-russa no escuro. Você acha que não tem looping, nem freada brusca, nem aceleração, e nem que volta de costas… mas tem na hora que você menos espera, tem tudo isso. 

E sabe o que é o pior (ou seria melhor?????) A gente entra na fila de novo e ainda pede pra sentar na primeira fileira! HAHAHAHAHA 

 

Sobre Aninha

Mãe de um trio de meninas: Bruna (6), Clara (4) e Alice (2). Dedico meu tempo à minha família e ao LookBebê. Antenada, adoro redes sociais e tecnologia e mais ainda, compartilhar conhecimento e informações sobre a maternidade. Sou (fui) Biomédica, pós-graduada em Engenharia Biomédica, mas optei por mergulhar de cabeça na maternidade.